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EM QUE TEMPO ESTAMOS VIVENDO?

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Cronologicamente estamos vivendo no século XXI. Algumas pessoas tão preocupadas com o futuro, perdem as maiores riquezas do presente; outras estão tão arraigadas ao passado que reproduzem modelos arcaicos e sem significados.

O que fazer diante desta dicotomia? Qual o caminho a seguir?

Mario Sergio Cortela faz uma analogia interessante, que nos ajuda a refletir diante desta situação. Ele diz: “Se os alunos não são mais os mesmos, se o mundo não é mais o mesmo, como fazer do mesmo modo?”.

Em um automóvel, o retrovisor é sempre menor que o para-brisa. Claro! Porque passado é referência, não é direção. Nosso horizonte, que é o que o para-brisa mostra, é o futuro.

Algumas pessoas pensam em educação como um veículo que tem um para-brisa menor do que o retrovisor. Em todo o instante miram o passado, achando que as respostas estão em outros tempos. Muitas vezes elas podem estar lá mesmo, porém de lá só devemos trazer aquilo que precisa ser preservado, protegido e levado adiante. Contudo, muitas vezes, no nosso passado, o que encontramos é arcaico, aquilo que deve ser superado, deixado de lado. Estamos vivendo momentos de crise em nosso País, mas crise é um momento em que o que é velho ainda não morreu e o que é novo, ainda não nasceu. Esses momentos graves nos levam a parar, respirar e escolher caminhos.

Cortela diz que os momentos graves significam, como sempre na história da humanidade, a possibilidade de momentos grávidos. Sim, assim como a mulher grávida sofre para dar a luz, momentos graves são também grávidos! Afinal de contas, toda situação grave contém uma gravidez, ou seja, a possibilidade de dar luz a uma nova situação.

Porém, na educação, muita gente enxerga só a gravidade do momento e não vê a gravidez que ela contém. Passa a vida lamentando o tempo presente e recorrendo ao passado como o tempo ideal.

Enquanto reproduzimos uma educação “tradicional”, ou melhor, arcaica, a Finlândia, país primeiro colocado no ranking de educação, não se acomoda na condição de modelo educacional, “inicia mais uma reforma em busca de melhorias”, detalha Marjo Kyllonen, secretária de educação de Helsinque, numa entrevista a revista Educação, em Janeiro deste ano.

É de conhecimento de todos os educadores, que a educação tradicional foi criada para a era industrial, onde o foco era o trabalho individual, obediência `as regras, produção em massa e estabilidade no mercado de trabalho.

Mas o mundo mudou, as famílias mudaram e as crianças mudaram. Como essas crianças, educadas em um sistema arcaico, serão absorvidas por um mercado que busca criatividade e coletividade?

Marjo Kyllonen diz: “não estamos preparando as crianças adequadamente para o que vem por aí e para o que já está acontecendo.”

Se ela, que está a frente de uma Educação considerada a número um no mundo, faz esse alerta, o que diremos nós, educadores brasileiros, que lutamos para informar a nossa geração de pais que a escola que os formou tem que viver transformações para formar seus filhos?

Agora a realidade é outra, a do disciplinamento da convivência, do uso de tecnologia e da capacidade de construção de uma escola que não seja arcaica, que saiba lidar com aquilo que é secular, mas que não pode estar em outro século que não o século em que ela está.

O outro século tem que vir para agora e não a Escola estar em outro século. Mudança é algo muito difícil para nós humanos, sentimos prazer naquilo que nos é familiar, mas às vezes precisamos promover mudanças. Um ditado árabe diz: “Homens são como tapetes, às vezes precisam ser sacudidos.” É preciso dar uma sacudida e tirar a poeira de tempos em tempos.

Agora, vamos rever  nossos conceitos, flexibilizar nossas atitudes e alterar nossa postura para que possamos viver literalmente o século XXI.

 Fonte: Texto escrito por Sandra Kattah – Diretora Pedagógica da Escola Vila Aprendiz

 

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Educar para ser feliz

educacaoUma profissão que acredita que tudo o que temos de melhor, o conhecimento, é para ser repartido. Em um país que não prioriza a educação, continuar lutando por ela só pode ser loucura. É o que Paulo Freire chamava de “sã loucura”. Uma loucura sadia, que é fazer o que tem que ser feito e que seria um contrassenso fazer quando ninguém faz.

Acreditamos que gente foi feita para ser feliz e que essa é a nossa missão. Como disse Aparício Torelly: “A única coisa que você leva da vida, é a vida que você leva”. Que vida estamos levando? A vida que se partilha. A troca diária de experiências de vida: a vida do colega, a vida do aluno, a vida das famílias. Quem Ama não desiste. Quando começamos a desistir de algo é porque estamos deixando de amar, seja o trabalho, a família, a religião, o lazer. É justamente a força desse amor que nos mantém firmes no nosso propósito.

Em educação, é preciso fazer uma distinção entre trabalho e emprego. Emprego é fonte de renda e trabalho é fonte de vida. Vida que se partilha. Essa distinção é necessária para que não se olhe a docência como mera atividade profissional, e sim como um modo de existir. É um jeito de fazer com que a vida tenha um sentido. Mario Sergio Cortella diz: “ Entendo que Educação tem sim um autochamamento interno em que a pessoa se chama para uma atividade que tem essa natureza de repartir, de se preparar, de trabalhar o tempo todo com o futuro. Isto é, saber que nunca estará pronto. Paulo Freire também dizia: “somos seres inacabados”, e se assim acreditamos, como podemos aceitar uma escola que prepara para vestibulares, para uma profissão, e não educa para a vida?

Necessitamos de professores revolucionários, que mudam paradigmas, transformam o destino de um povo e um sistema social sem armas, tão somente por prepararem seus alunos para a vida através do espetáculo das suas ideias. O mundo do século XXI gira em alta velocidade e a escola que nos forma é aquela do século IXX. Mesmo diante desse cenário, acredito que a Vida pode e deve ser melhor para todos.

Independente da prática religiosa existe uma frase no evangelho de João, capítulo 10, versículo 10, que nos oferece esperança. Jesus diz: “Quero que tenhais vida e vida em abundância”.  E vida em abundância é aquela que impede que qualquer um de nós perca a capacidade de ser feliz. Isso é falar de sonhos. É falar da amorosidade da vida e da partilha. Essa é a educação para a Vida.

Educar para ser feliz.

Texto de Sandra Kattah ( Diretora pedagógica da Vila Aprendiz).