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TV, games e aprendizado

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Quando o assunto é TV, games e outros dispositivos eletrônicos, a Academia Americana e a Sociedade Brasileira de pediatria concordam: o ideal é “zero telinha” até os dois anos de idade. Dos 2 aos 5 anos, o tempo dedicado aos eletrônicos deve ser, no máximo, de duas horas por dia, somando todos os meios. Infelizmente as famílias não seguem esta cartilha. Segundo a neuropediatra Christian Muller, “Os prejuízos são físicos (dores de cabeça, problemas de vista precoce, alterações na postura), emocionais e comportamentais (irritabilidade, agressividade, alteração no sono, sexualidade precoce, dificuldade de aprender e se concentrar)”. Segundo a Neuropsicóloga Adriana Foz, “as crianças que são submetidas à TV e jogos por muitas horas deixam de emitir ordens cerebrais do tipo ‘beta’, que são responsáveis por medir a atividade do lóbulo frontal, que controla as emoções. Assim, quando o nível de ondas beta diminui, as pessoas se irritam com mais facilidade e apresentam problemas de concentração, explicou o pesquisador. Isso foi comprovado após estudos realizados com 240 crianças, entre 3 e 9 anos.

Os jogos eletrônicos provocam ainda mais distúrbios de atenção, dificuldade de aprendizagem e de hiperatividade do que a TV. Na maioria dos jogos utilizados normalmente com muita luz e ação de movimentos repetitivos, sucedendo-se com rapidez, a reação do jogador é sempre automática, pois o pensamento consciente é muito mais lento. Assim, esses jogos representados em máquinas especiais como Playstation e Game Boy, conseguem exibir da ordem de um bilhão de imagens por segundo, mas só quem “percebe” isso é o cérebro. Ou seja, esta prática provoca uma deseducação da concentração. Como uma criança vai tolerar ficar quieta em uma carteira, em processo de alfabetização escolar, se estão viciadas em agir freneticamente nos jogos eletrônicos de ação? Atenção exige concentração mental.

Estamos falando aqui de dificuldade em aprender, que gera baixa autoestima, afastamento social e tantos outros “sentimentos” que podem ser transformados em patologias e/ou problemas graves durante o crescimento.

O aumento do uso de drogas psicotrópicas pode ser devido justamente à incapacidade de se criar imagens interiores, capacidade prejudicada pela TV e pelos jogos eletrônicos; como isso talvez seja uma necessidade, elas são criadas artificialmente pelas drogas.

Quem lê exercita seu pensamento lógico ou imaginativo. Quem vê TV ou joga video game está cada vez mais prejudicando sua capacidade de imaginar e pensar. Isso é ruim para adultos, mas é trágico no caso de crianças e jovens, que não aprendem a controlar seu corpo e suas ações.

Augusto Cury, médico estudioso da função cerebral há mais de 30 anos, descobriu a Síndrome do Pensamento Acelerado. Essa síndrome diz respeito à construção do pensamento. Quando pensamos rápido demais ou em excesso, violamos o que deveria ser inviolável: o ritmo da formação do raciocínio/ pensamentos.

Isso gera consequências seriíssimas para a saúde emocional, como a ansiedade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 20% da população sofre com a depressão. A ansiedade provavelmente é sentida por 80%, de crianças a idosos. Pensar é bom, pensar com consciência crítica é ótimo, mas sem gerenciamento, desenvolver uma atividade cerebral impulsiva é uma bomba para a saúde psíquica, para o desenvolvimento de uma mente livre e criativa. Toda vez que hiperaceleramos os pensamentos, a emoção perde em qualidade, estabilidade e profundidade. São necessários cada vez mais estímulos, aplausos e reconhecimento para sentirmos migalhas de prazer. E assim estamos formando uma sociedade infeliz e cheia de problemas.

 

Texto: Gabriela Camarotti

 

 

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Erros e Acertos: Como Educar através do exemplo útil

Educar dar exemplo
Um exemplo só vale mais que mil palavras se for capaz de transformar-se em ação cognitiva e útil, e tudo isso a partir da conduta lúcida…
“Acertar a partir dos erros é sabedoria. Errar a partir de acertos, burrice…”.

Explicar para uma criança, através do exemplo, o que significa um tijolo quebrado, isso é relativamente fácil. Basta que ela visualize o tijolo inteiro e depois o processo da quebra e está feito. Não será preciso repetir o gesto, afinal de contas, a demonstração já resume tudo. Assim, a experiência visual já é suficiente para que ela compreenda o que aquilo significa.

Já a experiência sensorial, onde ela própria irá quebrar o tijolo, isso é outra coisa. Desse modo, temos então dois aspectos: a compreensão visual e a sensorial. São dois níveis cognitivos. Há o efeito visual e a sensação táctil. E isso deveria finalizar todo processo de aprendizado em relação a essa coisa.

Mas existe ainda um terceiro elemento que é o acabamento teórico ou textual, quando, através de palavras, tentamos explicar os outros dois. Nesse caso, quando essa condição é praticada isoladamente, como não há o exemplo demonstrando o fato, aquela informação servirá apenas como dica ou indicação de uma possibilidade, que ela poderá ou não comprovar mais tarde.

O aprendizado completo só ocorre quando a criança tem a experiência visual, seguida da sensorial, e complementada pelo esclarecimento textual ou explicação detalhada do que aconteceu. E quanto mais ela aprende sobre a experiência que acaba de ter, maior será a qualidade da sua cognição.

Entretanto, nem todo processo cognitivo segue esse padrão à risca. Isso significa dizer que nem sempre uma experiência pessoal terá o complemento textual para ajudar a esclarecer a ocorrência. O fenômeno do sonho ou pesadelo lúcido é um desses casos, uma vez que a comunidade científica ainda bate cabeças em busca de explicações sobre esse estado anímico, ou ignora, ou ainda desconhece por completo a existência desse processo.

“Para uma criança, conhecimento útil é aquele que ela é capaz de transformar em ação e dele tirar algum proveito…”

A maioria dos ensinamentos que as crianças captam dos adultos através dos exemplos, muitas vezes ocorre de forma discreta e involuntária. Isto é, o adulto no papel de orientador, não se dá conta de que está ensinando ao sempre atento jovem que está ao seu lado.

Pode ser uma mania, a expressão de uma reação de raiva ou violenta, ou ainda um gesto de empatia ou antipatia. Em outras ocasiões, uma insatisfação, uma crítica sem fundamento, um vício ou dependência somática, ou até mesmo um mau costume. Lembrando sempre que uma criança possui sentidos mais aguçados que os adultos, por isso é mestra em captar particularidades comportamentais que facilmente seriam desprezadas pelos mais velhos, muito embora seja incapaz de compreender o que está ocorrendo.

E em sua mentalidade ainda incipiente o que importa é a utilidade, e não a qualidade. Um bom conselho teórico, por mais qualificado que seja, para uma criança muito pequena, tem o mesmo valor que uma moeda de ouro para um gato.
Se não vier precedido do respectivo exemplo, de modo que ela seja capaz de comprovar com sua memória visual e então associar à experimentação sensorial, todo processo será perda de tempo. Mas, ainda assim, poderá ficar guardado, sem garantias, como uma lembrança possível de ser usada como padrão associativo para suas futuras vivências.

Por isso, para uma criança pequena, ainda carente de lastro cognitivo, ensinar a fazer tem mais valor do que dizer que pode ser feito. Já para um jovem, com mais experiência de vida, cujo lastro intelectual já o permite associar a palavra ao fato, a dica é sempre preciosa, e se vier de fonte qualificada e íntegra, podemos considerar uma benção.

No entanto, engana-se aquele que vê o aprendizado como um processo que chega ao fim. Na verdade trata-se de um caminho infinito, onde a experiência de hoje sempre irá servir como alicerce para a compreensão de amanhã. E eis a razão porque está sempre incompleto.

Ainda assim, podemos ver quando começa. Por isso o esclarecimento na hora da dúvida é fundamental, insubstituível, fará toda diferença. Mas, para que isso aconteça é preciso que a prática da dúvida se transforme em um hábito, o que acontece naturalmente quando a explicação que pode se converter em aprendizado está disponível; quando o educador consciente está presente.

Mas a criança só terá dúvida se souber o que isso significa, e o mais importante, se tiver o aporte necessário para elucidar seu questionamento. E mais uma vez, nesse ponto, o papel dos pais é insubstituível, uma vez que serão os responsáveis pelo surgimento dessa qualidade em seus filhos. Desse aporte inicial pode nascer a verdadeira inteligência, aquela que só é capaz de aflorar quando não temos certeza de nada.

Um erro cometido é a melhor forma de exemplificar qualquer ensinamento. Assim, o pai ou educador atento, usará desse valioso argumento cognitivo com os seus filhos, ou alunos, sempre que a ocasião se fizer presente.

E no dia a dia não faltarão oportunidades. Pode ocorrer nos pequenos detalhes, a partir de erros discretos, ou mesmo insignificantes, afinal de contas, o terreno precisa ser preparado antes que os grandes eventos ocorram. Pela ciência do menos se chega ao mais.

Mas, sem paciência é bom nem começar. A impaciência é um péssimo mau exemplo, especialmente para a instável sensibilidade infantil. Ocorre que, qualquer mudança negativa no estado emocional dos adultos, poderá desencadear traumas irreparáveis naquele pequeno cérebro, ainda em busca de um alicerce consistente para construir sua personalidade.

Para a criança, o melhor ensinamento é aquele que pode ser demonstrado de forma prática, ou seja, através da autoexperimentação. Já para o jovem, além da vivência, o esclarecimento sobre o que está acontecendo, este é um complemento imprescindível.

Entretanto, talvez o mais importante de tudo isso seja a descoberta das predisposições inatas da criança, ou dos traços falhos e fortes em um jovem com mais idade. De posse desse acervo, o educador poderá ser mais eficiente em orientar cada um dos seus alunos ou filhos, encaminhando-os da forma adequada para a descoberta e uso da vocação.

E lembrando mais uma vez que, uma palavra ou descrição, por mais refinado que seja seu detalhamento e contextualização, ainda assim é incapaz de injetar sensorialmente dentro daquele indivíduo a compreensão da experiência de outro.

Fonte:

Autores: Alberto Silva Filho e Jon Talber

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