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TV, games e aprendizado

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Quando o assunto é TV, games e outros dispositivos eletrônicos, a Academia Americana e a Sociedade Brasileira de pediatria concordam: o ideal é “zero telinha” até os dois anos de idade. Dos 2 aos 5 anos, o tempo dedicado aos eletrônicos deve ser, no máximo, de duas horas por dia, somando todos os meios. Infelizmente as famílias não seguem esta cartilha. Segundo a neuropediatra Christian Muller, “Os prejuízos são físicos (dores de cabeça, problemas de vista precoce, alterações na postura), emocionais e comportamentais (irritabilidade, agressividade, alteração no sono, sexualidade precoce, dificuldade de aprender e se concentrar)”. Segundo a Neuropsicóloga Adriana Foz, “as crianças que são submetidas à TV e jogos por muitas horas deixam de emitir ordens cerebrais do tipo ‘beta’, que são responsáveis por medir a atividade do lóbulo frontal, que controla as emoções. Assim, quando o nível de ondas beta diminui, as pessoas se irritam com mais facilidade e apresentam problemas de concentração, explicou o pesquisador. Isso foi comprovado após estudos realizados com 240 crianças, entre 3 e 9 anos.

Os jogos eletrônicos provocam ainda mais distúrbios de atenção, dificuldade de aprendizagem e de hiperatividade do que a TV. Na maioria dos jogos utilizados normalmente com muita luz e ação de movimentos repetitivos, sucedendo-se com rapidez, a reação do jogador é sempre automática, pois o pensamento consciente é muito mais lento. Assim, esses jogos representados em máquinas especiais como Playstation e Game Boy, conseguem exibir da ordem de um bilhão de imagens por segundo, mas só quem “percebe” isso é o cérebro. Ou seja, esta prática provoca uma deseducação da concentração. Como uma criança vai tolerar ficar quieta em uma carteira, em processo de alfabetização escolar, se estão viciadas em agir freneticamente nos jogos eletrônicos de ação? Atenção exige concentração mental.

Estamos falando aqui de dificuldade em aprender, que gera baixa autoestima, afastamento social e tantos outros “sentimentos” que podem ser transformados em patologias e/ou problemas graves durante o crescimento.

O aumento do uso de drogas psicotrópicas pode ser devido justamente à incapacidade de se criar imagens interiores, capacidade prejudicada pela TV e pelos jogos eletrônicos; como isso talvez seja uma necessidade, elas são criadas artificialmente pelas drogas.

Quem lê exercita seu pensamento lógico ou imaginativo. Quem vê TV ou joga video game está cada vez mais prejudicando sua capacidade de imaginar e pensar. Isso é ruim para adultos, mas é trágico no caso de crianças e jovens, que não aprendem a controlar seu corpo e suas ações.

Augusto Cury, médico estudioso da função cerebral há mais de 30 anos, descobriu a Síndrome do Pensamento Acelerado. Essa síndrome diz respeito à construção do pensamento. Quando pensamos rápido demais ou em excesso, violamos o que deveria ser inviolável: o ritmo da formação do raciocínio/ pensamentos.

Isso gera consequências seriíssimas para a saúde emocional, como a ansiedade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 20% da população sofre com a depressão. A ansiedade provavelmente é sentida por 80%, de crianças a idosos. Pensar é bom, pensar com consciência crítica é ótimo, mas sem gerenciamento, desenvolver uma atividade cerebral impulsiva é uma bomba para a saúde psíquica, para o desenvolvimento de uma mente livre e criativa. Toda vez que hiperaceleramos os pensamentos, a emoção perde em qualidade, estabilidade e profundidade. São necessários cada vez mais estímulos, aplausos e reconhecimento para sentirmos migalhas de prazer. E assim estamos formando uma sociedade infeliz e cheia de problemas.

 

Texto: Gabriela Camarotti

 

 

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Filhos inseguros?

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Cuidado, a culpa pode ser sua. Na ânsia de proteger as crianças, estamos criando para o futuro adultos dependentes, sem iniciativa e incapazes de lidar com frustrações.

Embora seu filho já tenha condições de colocar os brinquedos no lugar, é você que sempre recolhe a bagunça pela casa. Toda vez que sua filha se recusa a jantar, você espera que ela tenha fome e prepara um lanche. A criança esquece de levar o caderno para a escola, e você se desdobra para fazer o material chegar lá. O pequeno fica doente e precisa tomar uma injeção, você compra um presentinho fora de hora para compensar o desconforto. Se alguma das afirmações acima é verdadeira para você, um alerta: essa postura pode estar deseducando sua prole. “Pais que direcionam e facilitam demais a vida dos filhos não dão oportunidade para que eles tentem resolver os próprios problemas, impedindo seu desenvolvimento”, diz a educadora mineira Flávia Vivaldi, que pesquisa a construção da autonomia infantojuvenil há cinco anos.

Nos últimos 15 anos, um numero crescente de estudos passou a investigar a superproteção parental e suas consequências. Os mais recentes, divulgados ao longo de 2015 no Journal of Children and Family Stydies, publicação que reúne artigos científicos de universidades do mundo todo, apontam: pais que resolvem problemas pelos filhos e se intrometem demais em suas atividades sinalizam aos pequenos que o mundo é ameaçador, aumentando seus níveis de ansiedade e alterando o bem-estar emocional e a percepção que eles têm de si próprios e de suas capacidades. “Essas crianças se tornam impulsivas, egoístas e se transformam em jovens imaturos, que não assumem responsabilidades. Têm pouca confiança em si mesmas, quase nenhum autocontrole e muita dificuldade em ser gratas”, avisa Adriana Ramos, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Moral, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), umas das principais referências dessa temática no país.

Esse jeito de educar rendeu até um nome: são os pais helicópteros, que estão sobrevoando os filhos para evitar que sofram e se frustrem. Ao menor sinal de perigo, aterrissam e prestam socorro a eles. Com a melhor das intenções e expectativas muitas vezes bem altas, esse grupo acaba assumindo responsabilidades pelas crianças, que geralmente são matriculadas em uma série de atividades, e interferindo nas escolhas delas. Autora do recém-lançado livro How to raise an adult, (em tradução livre “ Como criar um adulto”), Julie Lythcott-Haims, ex-reitora da Universidade de Stanford, observou em uma década no cargo que, a cada ano, os calouros eram mais brilhantes, mas menos capazes de cuidar deles próprios. Seus responsáveis, por sua vez, foram se tornando mais e mais intrometidos. “Dar liberdade aos filhos significa tolerar um pouco de incerteza em troca de ensinar as habilidades de que eles precisam para ser competentes e confiantes”, afirma ela, que teve a ideia para o livro quando, depois de um dia atendendo pais ansiosos e jovens sem iniciativa, se surpreendeu cortando o bife para o próprio filho, então com 10 anos – que, claro, já tinha condições de fazê-lo sozinho,

Para a advogada Ana Carolina Marcari, de Poços de Caldas(MG), uma gravidez difícil e a própria educação, cercada de cuidados, foram determinantes para o excesso de zelo com o filho, Ótavio, hoje com 10 anos. Ela conta que não deixava o menino andar de bicicleta nem brincar no escorregador. Só percebeu que estava exagerando quando foi chamada na escolinha: a professora comentou que o pequeno, de tão apreensivo, não aproveitava o momento do parquinho, importante para o desenvolvimento da coordenação motora. “A escola me ajudou a abdicar de alguns medos, mas ainda preciso melhorar”, afirma ela, depois de assumir que, no meio da tarde de nossa entrevista, já tinha ligado sete vezes para o filho.

É comum essa mania de superproteção das crianças invadir a escola. Segundo Flávia Vivaldi, com frequência os pais se envolvem em conflitos, justificando atrasos de adolescentes e até solicitando alteração do calendário escolar por uma questão da família. “Hoje, há uma preocupação em evitar traumas e não abalar a autoestima , algo que não existia 20 anos atrás. Além disso, muitas vezes há uma grande culpa por passar boa parte do tempo trabalhando. Isso não é bom. A criança deve saber que você trabalha para garantir a educação, saúde, bem –estar dela”, explica Zélia Maria Moreira, diretora da escola de Otávio, onde são organizadas reuniões para os pais. Quem tem filho único (como Ana Carolina) recebe atenção especial nesses encontros. “Se a criança está acostumada a ser o centro das atenções, é natural que tenha problemas para lidar com colegas na escola, emprestar brinquedos, etc”, aponta.

Pequenas frustrações, um pouco de solidão e até de tensão para resolver um novo desafio – como o simples manejo dos talheres pela primeira vez – ajudam a formar indivíduos independentes, dispostos a enfrentar o mundo e, na hora certa, aptos a arriscar. Por isso, quando o desejo de proteger o filhote e a angústia de expô-lo a uma potencial decepção apertarem, respire fundo. Nesses momentos, Ana Carolina se lembra do conselho de uma amiga: “Carol, deixa o menino ralar o joelho”.

 

Fonte: Revista Cláudia – Janeiro 2016 ( Texto escrito por Bruna Nicolielo)

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Brincar é coisa séria

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Brincar é uma expressão que está naturalmente dentro do homem, e que pode ser manifestada de diversas formas.

O essencial de brincar é a liberdade de tempo, de espaço e de criação. Quem brinca é espontâneo, e a espontaneidade é a linguagem da alma.

Brincar é viver em plenitude, é uma forma de afirmar a alegria da vida.

Brincar é a maneira mais simples de reorganizar nossa rotina, de mostrar o nosso interior, o nosso lado avesso.

A partir da brincadeira o ser humano faz os contatos sociais mais puros. É uma necessidade básica, que deveria ser explorada com mais seriedade. Até os animais brincam… E através do ato de brincar eles se descobrem, se relacionam, se conhecem, medem força, treinam, conquistam o respeito e seu espaço.

Com o humano não é diferente, porque brincar é necessário para a construção do ser. E esta necessidade se estende para além da infância. É como se fôssemos um violão, que só ecoa sua mais bela canção quando todas as cordas são dedilhadas, são “acionadas”. Mas infelizmente tem gente que morre e só aciona uma ou duas cordas do violão da sua vida.

Brincar é uma coisa séria: faz ficar focado, faz levar um objetivo até a última consequência, desperta dedicação e prazer. Os adultos deveriam realizar suas atividades com a “seriedade” das brincadeiras infantis… Porque é na brincadeira que a criança é unidade, é inteira: sente, pensa, vive, vai além, exagera, extrapola.

Quando a criança pensa em fazer um carro de rolimã ela pensa nele por inteiro. Planeja o que vai precisar, pesquisa, executa… E brincando ela vai achar a solução para os problemas que surgirem, vai ser criativa, vai se reinventar quando algo der errado, vai lidar com a frustração, vai pedir ajuda. Quem não brinca fica diminuído nas suas possibilidades.

Brincar é visto por Winnicott (1975) como uma forma de desenvolvimento universal. Conduz a criança aos relacionamentos grupais, facilitando o crescimento e servindo de meio de comunicação, principalmente nos processos psicoterápicos. Algumas vezes, por si só, a brincadeira é autocurativa, pois o brinquedo ajuda a criança a elaborar as dificuldades emocionais sem que perceba que isso está acontecendo. Freud (1907) dizia que as ocupações favoritas e mais intensas das crianças são os brinquedos e os jogos, e ainda a compara a um escritor criativo, pois a criança é capaz de criar um mundo próprio, cheio de imaginação e riqueza de detalhes. Ela leva a sério sua brincadeira e investe muita emoção nela, conseguindo, entretanto, distinguir brincadeira e realidade. Os brinquedos e os jogos funcionam também como estabelecedores de regras, ajudam o desenvolvimento da coordenação motora e da linguagem.

Proibir a criança de brincar é matar o ser humano no seu início, pois a nossa essência nasce daquilo que nos é fornecido na infância. O conteúdo das brincadeiras, a leveza, a forma de olhar para a vida, insistir no que queremos e não de encontrar obstáculos para nossos objetivos.

Estas características são tão construtivistas e essenciais na formação de um adulto, de um pai, de um profissional, que se pararmos para ler, estudar e fazer uma conexão entre a importância de brincar e os grandes nomes da tecnologia, o que encontraremos? Onde estão os filhos das pessoas que mudaram o mundo com potências como a Apple, Google e Microsoft? Estão brincando em fazendas, livres, em contato com a natureza, longe dos eletrônicos. Eles querem garantir a essência da infância, porque já perceberam que essas crianças são as mais felizes, as mais otimistas, as que serão mais criativas e que irão inventar coisas mais interessantes. Até seus escritórios são diferentes e seus funcionários “livres”. O brincar do adulto é seu processo criador. E é claro que esta criança que planeja brinquedos, cria jogos, anda com os pés descalços, escuta música, dança cantiga de rodas, joga peão, pula corda, etc., será um adulto alegre, e muito mais lúdico e criativo na sua essência.

E assim sendo, não importa a profissão que ele vai escolher, sua probabilidade de ser feliz e ter sucesso é muito grande. Porque será um médico que fala com os pacientes de forma diferente, um arquiteto que cria traços mais ousados, um pintor com novas técnicas de imagem, um pedagogo com olhar diferente…

Não dá para determinarmos o que nossas crianças vão ser quando adultos, mas podemos “implantar” nelas, através da brincadeira, caracteristicas essenciais para serem especiais, para lembrarem sempre de que há uma criança morando em cada adulto, e que esta criança precisa ter voz e vez, pois mantêm em nós o território sagrado da infância, que nos faz olhar o mundo com esperança, compaixão, humildade e leveza.

 

Texto escrito por Gabriela Camarotti

 Fontes: FREUD, S. (1907/8) Escritores Criativos e Devaneios. /WINNICOTT, D. W. O Brincar & a Realidade. Ed. Imago: RJ, 1975/Filme Tarja Branca – A Revolução que Faltava, dirigido por Cacau Rhoden/www.portaleducação.com.br/ monografias.brasilescola.uol.com.br

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Neuropsicopedagogia, você sabe o que é isso?

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Em entrevista a Revista VEJA do mês de Abril, o neurocientista português António Damásio, 69 anos, e um dos maiores nomes da neurociência na atualidade, fala sobre como as emoções e sentimentos são essenciais ao influenciar a tomada de decisões e moldar a razão humana, e fazer o indivíduo aprender. O neurocientista afirma ainda que a felicidade está ligada a certas moléculas químicas e a tristeza a outras. Quando estamos felizes as imagens e informações se sucedem com mais rapidez, se associam mais facilmente. Na tristeza, na angústia, na pressão de alguma situação, as imagens passam muito mais devagar e ficam como que impressas ali por um tempo, na memória sensorial ou de curto prazo. O ponto ideal para desenvolver o raciocínio é a afetividade, a felicidade sem euforia, porque na euforia o pensamento se embaralha. E o que isso tem a ver com Neuropsicopedagogia?

Aliada a neurociência, a pedagogia e a psicologia trazem o amplo conhecimento das bases neurológicas do aprendizado e do comportamento, facilitando assim seu estímulo nos diversos contextos e, consequentemente, o sucesso no processo educacional.

Sua primeira descrição no campo científico se deu através de Jennifer Delgado Suárez, no artigo intitulado “Desmistificacion de la neuropsicopedagogía” no qual apresentou uma composição histórica da trajetória neuropsicopedagógica e ressaltou sua importância para o contexto educativo. A Neuropsicopedagogia é um novo campo de conhecimento, que une diversas áreas da pedagogia, psicologia e da medicina, contribuindo diretamente para os processos de ensino-aprendizagem. Através dos conhecimentos neuropsicopedagógicos existe a possiblidade de entender como se processa o desenvolvimento de aprendizagem de cada indivíduo, proporcionando-lhe melhoras nas perspectivas educacionais e dessa forma desmistificar a ideia de que a aprendizagem não ocorre para alguns. Na verdade sempre acontecerá a aprendizagem, entretanto para uns ela vem acompanhada de muita estimulação, atividades diferenciadas, respeitando um ritmo e um processamento da informação que não é igual para ninguém.

Dentro desta linha de pensamento as contribuições de Tokuhama-Espinosa (2008, apud Zaro, 2010, p. 204), podem ser consideradas de significativa importância e utilizadas como elementos importantes nas intervenções pedagógicas: a) Estudantes aprendem melhor se motivados, e o cérebro precisa de desafios novos a cada 15/20 minutos; b) ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado; c) o tom de voz de outras pessoas é rapidamente julgado no cérebro como ameaçador; d) as emoções têm papel-chave no aprendizado; e) nutrição impacta o aprendizado; f) sono impacta consolidação de memória.

Segundo as considerações acima é possível afirmar que o ato de aprender é complexo, e não envolve somente a memorização dos conteúdos. Assim, o grande desafio das instituições educacionais é conseguir atender às diversidades de aprendizagem, perceber e identificar como cada aluno aprende.

Apenas entendendo as bases do aprendizado, como o cérebro forma novas conexões, forma as memórias, a importância da motivação para a formação de talentos, para o desenvolvimento de habilidades, será possível lidar com as novas gerações de alunos. E esse deve ser o grande diferencial do educador, perceber que não é um ser somente de informação. Ele precisa saber qual o melhor método para que os alunos possam “consolidar” o conhecimento. Ter a clareza de que os conteúdos são comuns a todos, mas a metodologia de trabalho deve estar pautada em práticas que contemplem o indivíduo como seres únicos e capazes, transformando-as em cidadãos equilibrados emocionalmente, que saibam ser críticos e respeitar o outro, as regras da sociedade. Se as escolas não pensarem assim, em um desenvolvimento completo, estarão simplesmente reproduzindo o que o aluno poderá encontrar em qualquer mídia disponível na atualidade.

 

Escrito por Gabriela Camarotti

Fontes: HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Neurociências na Educação.

www.neuropsicopedagogianasaladeaula.com.br/ Revista Veja – edição Abril 2015/ www.cienciasecognicao.org

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A importância da rotina

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Planejar a rotina para seu filho é muito importante! Significa cuidar para não introduzir, desde cedo, o costume de uma vida atribulada, sem planejamento, sem organização, com tempo escasso para as relações e para os momentos de interação e troca.
Além disso, como lembra Sonia Madi – psicopedagoga – é importante deixar de lado o medo de colocar limites: “Dizer não é muito importante! É um fator estabilizador. Muitas vezes, se pensa que se está protegendo seu filho evitando o “não”, mas isso é um grande engano”. Mesmo os pais mais ausentes, que só conseguem estar com os filhos em poucos momentos do dia, devem estabelecer os limites, as regras da casa, e fazer com que sejam cumpridos. A rotina e os limites são estruturantes.
Para a criança o tempo é algo complexo. É através das suas rotinas que a ela antecipa o que irá acontecer e adapta o seu comportamento à tarefa seguinte. As rotinas transmitem segurança à criança, deste modo ela já sabe que no fim da escola a mãe a irá buscar, que antes de jantar deve tomar banho, que a hora das tarefas é muito importante, que precisa dormir cedo, etc.
As principais rotinas que se devem manter com as crianças são: horas de refeição; hora de deitar; hora de estudar; hora de brincar e tempos em família. E isso pode ser estabelecido junto com as crianças, de modo que elas se comprometam com aquelas atividades. Pode-se, inclusive, montar um quadro de rotinas em casa, que deve ser adequado para cada filho e suas atividades.
A rotina desorganizada, sem horários certos para cada coisa, irá gerar um adolescente e um adulto desorganizado, possivelmente descomprometido.
A organização das atividades diárias não impedirá que a criança desenvolva autonomia e criatividade. A coerência e a flexibilidade devem fazer parte do processo de estabelecimento das regras. Todavia a rotina é fundamental na formação de cidadãos responsáveis e confiantes. Sua ausência gera medo e ansiedade não somente nos pequenos como também nos adultos. Portanto criar rotinas é positivo e deve iniciar desde a mais tenra idade. Quando se estabelece os horários das mamadeiras, da sopinha, do solzinho do bebê, até o horário em que o adolescente deve por o lixo para fora, cuidar do cachorro, fazer a tarefa, jogar videogame, voltar para casa ou ir para a cama dormir; evita-se a formação de uma geração de jovens e adultos irresponsáveis, desorganizados e ansiosos. A educação permissiva e a suposta liberdade oferecida pela família não apresentam resultados positivos. Regras são essenciais e a rotina é referência na vida de crianças e adolescentes; porque direciona, organiza e equilibra suas vidas para mais tarde darem conta de seus compromissos tornando-se adultos mais bem sucedidos.

Texto escrito por Gabriela Camarotti
Fontes: Portal da Educação
​ Livros: A Construção da Identidade – CERISARA, Ana Beatriz

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Erros e Acertos: Como Educar através do exemplo útil

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Um exemplo só vale mais que mil palavras se for capaz de transformar-se em ação cognitiva e útil, e tudo isso a partir da conduta lúcida…
“Acertar a partir dos erros é sabedoria. Errar a partir de acertos, burrice…”.

Explicar para uma criança, através do exemplo, o que significa um tijolo quebrado, isso é relativamente fácil. Basta que ela visualize o tijolo inteiro e depois o processo da quebra e está feito. Não será preciso repetir o gesto, afinal de contas, a demonstração já resume tudo. Assim, a experiência visual já é suficiente para que ela compreenda o que aquilo significa.

Já a experiência sensorial, onde ela própria irá quebrar o tijolo, isso é outra coisa. Desse modo, temos então dois aspectos: a compreensão visual e a sensorial. São dois níveis cognitivos. Há o efeito visual e a sensação táctil. E isso deveria finalizar todo processo de aprendizado em relação a essa coisa.

Mas existe ainda um terceiro elemento que é o acabamento teórico ou textual, quando, através de palavras, tentamos explicar os outros dois. Nesse caso, quando essa condição é praticada isoladamente, como não há o exemplo demonstrando o fato, aquela informação servirá apenas como dica ou indicação de uma possibilidade, que ela poderá ou não comprovar mais tarde.

O aprendizado completo só ocorre quando a criança tem a experiência visual, seguida da sensorial, e complementada pelo esclarecimento textual ou explicação detalhada do que aconteceu. E quanto mais ela aprende sobre a experiência que acaba de ter, maior será a qualidade da sua cognição.

Entretanto, nem todo processo cognitivo segue esse padrão à risca. Isso significa dizer que nem sempre uma experiência pessoal terá o complemento textual para ajudar a esclarecer a ocorrência. O fenômeno do sonho ou pesadelo lúcido é um desses casos, uma vez que a comunidade científica ainda bate cabeças em busca de explicações sobre esse estado anímico, ou ignora, ou ainda desconhece por completo a existência desse processo.

“Para uma criança, conhecimento útil é aquele que ela é capaz de transformar em ação e dele tirar algum proveito…”

A maioria dos ensinamentos que as crianças captam dos adultos através dos exemplos, muitas vezes ocorre de forma discreta e involuntária. Isto é, o adulto no papel de orientador, não se dá conta de que está ensinando ao sempre atento jovem que está ao seu lado.

Pode ser uma mania, a expressão de uma reação de raiva ou violenta, ou ainda um gesto de empatia ou antipatia. Em outras ocasiões, uma insatisfação, uma crítica sem fundamento, um vício ou dependência somática, ou até mesmo um mau costume. Lembrando sempre que uma criança possui sentidos mais aguçados que os adultos, por isso é mestra em captar particularidades comportamentais que facilmente seriam desprezadas pelos mais velhos, muito embora seja incapaz de compreender o que está ocorrendo.

E em sua mentalidade ainda incipiente o que importa é a utilidade, e não a qualidade. Um bom conselho teórico, por mais qualificado que seja, para uma criança muito pequena, tem o mesmo valor que uma moeda de ouro para um gato.
Se não vier precedido do respectivo exemplo, de modo que ela seja capaz de comprovar com sua memória visual e então associar à experimentação sensorial, todo processo será perda de tempo. Mas, ainda assim, poderá ficar guardado, sem garantias, como uma lembrança possível de ser usada como padrão associativo para suas futuras vivências.

Por isso, para uma criança pequena, ainda carente de lastro cognitivo, ensinar a fazer tem mais valor do que dizer que pode ser feito. Já para um jovem, com mais experiência de vida, cujo lastro intelectual já o permite associar a palavra ao fato, a dica é sempre preciosa, e se vier de fonte qualificada e íntegra, podemos considerar uma benção.

No entanto, engana-se aquele que vê o aprendizado como um processo que chega ao fim. Na verdade trata-se de um caminho infinito, onde a experiência de hoje sempre irá servir como alicerce para a compreensão de amanhã. E eis a razão porque está sempre incompleto.

Ainda assim, podemos ver quando começa. Por isso o esclarecimento na hora da dúvida é fundamental, insubstituível, fará toda diferença. Mas, para que isso aconteça é preciso que a prática da dúvida se transforme em um hábito, o que acontece naturalmente quando a explicação que pode se converter em aprendizado está disponível; quando o educador consciente está presente.

Mas a criança só terá dúvida se souber o que isso significa, e o mais importante, se tiver o aporte necessário para elucidar seu questionamento. E mais uma vez, nesse ponto, o papel dos pais é insubstituível, uma vez que serão os responsáveis pelo surgimento dessa qualidade em seus filhos. Desse aporte inicial pode nascer a verdadeira inteligência, aquela que só é capaz de aflorar quando não temos certeza de nada.

Um erro cometido é a melhor forma de exemplificar qualquer ensinamento. Assim, o pai ou educador atento, usará desse valioso argumento cognitivo com os seus filhos, ou alunos, sempre que a ocasião se fizer presente.

E no dia a dia não faltarão oportunidades. Pode ocorrer nos pequenos detalhes, a partir de erros discretos, ou mesmo insignificantes, afinal de contas, o terreno precisa ser preparado antes que os grandes eventos ocorram. Pela ciência do menos se chega ao mais.

Mas, sem paciência é bom nem começar. A impaciência é um péssimo mau exemplo, especialmente para a instável sensibilidade infantil. Ocorre que, qualquer mudança negativa no estado emocional dos adultos, poderá desencadear traumas irreparáveis naquele pequeno cérebro, ainda em busca de um alicerce consistente para construir sua personalidade.

Para a criança, o melhor ensinamento é aquele que pode ser demonstrado de forma prática, ou seja, através da autoexperimentação. Já para o jovem, além da vivência, o esclarecimento sobre o que está acontecendo, este é um complemento imprescindível.

Entretanto, talvez o mais importante de tudo isso seja a descoberta das predisposições inatas da criança, ou dos traços falhos e fortes em um jovem com mais idade. De posse desse acervo, o educador poderá ser mais eficiente em orientar cada um dos seus alunos ou filhos, encaminhando-os da forma adequada para a descoberta e uso da vocação.

E lembrando mais uma vez que, uma palavra ou descrição, por mais refinado que seja seu detalhamento e contextualização, ainda assim é incapaz de injetar sensorialmente dentro daquele indivíduo a compreensão da experiência de outro.

Fonte:

Autores: Alberto Silva Filho e Jon Talber

Site de Dicas Educação Uol

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O letramento precoce pode ser prejudicial

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O letramento precoce é um assunto permeado por controvérsias. Enquanto algumas instituições de ensino apostam em atividades ligadas à leitura e à escrita, outras defendem a ideia de que é preciso preparar a criança antes de abordar esse tipo de assunto.

Introduzida pelo filósofo e educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925) em 1919, a pedagogia Waldorf defende que os pequenos (com até 7 anos de idade) tenham apenas uma responsabilidade na escola: brincar. Ao participar de jogos e atividades lúdicas, meninos e meninas desenvolvem diversas habilidades, entre físicas e motoras, além de um estímulo essencial para a vida: a confiança. Segundo a teoria, nessa fase o aluno tende a gastar muita energia e se prepara fisicamente – isso é fundamental para o seu desenvolvimento neurológico e sensorial. Tais capacidades refletem em domínio corporal, linguagem oral e, principalmente, contribuem para a inteligência da criança.

Em poucas palavras: na educação infantil, aprimorar essas características é mais importante do que aprender a ler o próprio nome. “Eliminar atividades que favorecem a criatividade e o pensamento pode ter consequências graves. Infelizmente, muitas dessas práticas estão sendo substituídas pela escolarização antecipada”, alerta Luiz Carlos de Freitas, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Os ideais disseminados pelo croata têm ligação direta com estudos elaborados por outro profissional de renome na área, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934). Ele dizia que a alfabetização é resultado de um processo longo e repleto de etapas, como gestos e expressões. Ao fazer um símbolo no ar, por exemplo, a criança já se manifesta a partir de uma linguagem mais próxima da escrita. Esse aprendizado gradual é imprescindível e deve acontecer nas classes de primeira infância, sem que atividades mecânicas de leitura e escrita atrapalhem ou forcem as etapas de desenvolvimento. “O letramento exige um grau muito grande de amadurecimento neuromotor. Desse ponto de vista, a criança só estará pronta para ser alfabetizada por volta dos 6 anos”, afirma Eliana de Barros Santos, psicóloga e diretora pedagógica do Colégio Global e da Escola Globinho. Segundo ela, brincar leva o aluno a compreender a si mesmo, seus sentimentos e o mundo em que vive. “Essa prática garante a formação das bases necessárias para a construção de outras linguagens”, comenta.

Estimular a leitura precoce, por sua vez, compromete tal formação. Além disso, pode ocasionar problemas como sobrecarga, deficiências na coordenação motora, apatia, desinteresse, desmotivação e estresse. “Aprender a ler não é simplesmente decifrar as letras, mas sim dominar um sistema simbólico, o que exige um grande amadurecimento neuropsíquico”, explica a diretora.

Essa discussão ganhou fôlego principalmente depois da implantação da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2013. Direcionada a estudantes do 3º ano do ensino fundamental de escolas públicas, a prova avalia os índices de alfabetização e letramento em língua portuguesa e matemática. O objetivo é verificar se as crianças são preparadas corretamente para uma nova fase da vida estudantil. No entanto, uma questão defendida por muitos profissionais da área é que a aplicação de uma prova desse porte pode não ser tão benéfica quanto parece e ter reflexos já nas classes de educação infantil.

De acordo com Sandra Zákia Sousa, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), a ANA tende a fortalecer uma visão que já existe nas unidades escolares – a de que, na primeira infância, é preciso preparar os estudantes para a etapa seguinte, o ensino fundamental. “Fazer isso significa antecipar iniciativas relacionadas a processos de alfabetização e letramento, ou seja, o educador pula etapas importantes e passa a concentrar suas energias em algo que ainda não precisaria ser abordado”, diz.

Para Freitas, testes como a ANA deveriam acontecer apenas a partir do final do ensino fundamental. O formato também poderia ser diferente. O interessante, segundo ele, é que o método avalie as políticas públicas em geral e não a escola. “Um professor sabe muito bem em quais pontos seus alunos são bons ou não”, ressalta.

Pais podem contribuir
Ao mesmo tempo em que a instituição exerce um papel importante, os pais também devem redobrar o cuidado com o letramento precoce. De acordo com Sandra, a pressão pode começar a ocorrer dentro de casa, quando os familiares incentivam a criança a ler palavras ou a escrever nomes aleatórios. “É fundamental que todos se atentem a isso. No lar, bem como na escola, as atividades devem ser adequadas para a faixa etária”, diz.

Fonte: Revista Educação