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A importância da Literatura Infantil

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Era uma vez, uma arte milenar que virou tradição no mundo inteiro: contar histórias. Esta era uma forma encontrada por povos antigos de transmitir suas crenças e suas culturas. Com o passar do tempo, o registro gráfico de contos, lendas e mitos, aos poucos foram sendo executados. Novas versões de um mesmo conto aconteceram, assim, as histórias foram sofrendo alterações e ganharam desenhos, inicialmente em preto e branco e mais tarde foram apresentados ao leitor com belas ilustrações.

Com a possibilidade cada vez maior de circulação de informações os contos se proliferaram e ganharam o mundo através dos livros, que aos poucos foram substituindo os contadores de praças. Depois vieram nossos avós, os pais, familiares e as historinhas atravessaram gerações. Com a modernidade, outros recursos foram sendo utilizados como o cinema, a televisão e agora o computador. Estes recursos deram formas dinâmicas aos personagens, deram vida e vozes muito próximas a realidade, personagens que antes dependiam apenas de nossas imaginações ganham vida própria, será que tornaram-se mais sedutores do que os bons e velhos livros?

Talvez não, o livro resiste bravamente e pode e sua utilização deve ser incentivada, não como obrigação, mas acima de tudo como prazer. Uma via de manifestação da fantasia e um recurso valioso que leva ao caminho da descoberta e da aprendizagem. Ao lermos um bom livro viajamos, conhecemos culturas, hábitos, povos diferentes, despertamos sentimentos que nem imaginaríamos e ainda, utilizamos recursos internos únicos.

É também ouvindo historias que as crianças entram em contato com o mundo da escrita. No momento em que alguém lê para uma criança acontece o deciframento das palavras, aquelas pequenas letras aos poucos ganham significações, inicialmente realizadas por um tradutor, em geral pais, avós, irmãos mais velhos, mais tardes os professores. E é através desse imaginário que os pequenos futuros leitores têm a chance de elaborar e projetar sentimentos como medo, coragem, alegrias, tristezas, tranqüilidade, insegurança. A criança experimenta sensações ambíguas sem, no entanto, desistir delas, pois faz parte de seu amadurecimento emocional. É como diz Abramovich “é sentir e enxergar com os olhos do imaginário”.(1980).

Para Bettelheim, um dos psicanalistas que se interessou pelos temas dos contos de fadas, as crianças se identificam com os contos porque “eles falam de sua impressões internas graves de um modo que elas inconscientemente compreendem e – sem menosprezar as lutas interiores mais sérias que o crescimento pressupõe – e oferecem exemplos tanto de soluções temporárias quanto permanentes para as dificuldades prementes”. 2 Ou seja, o que acontece é que podemos claramente observar é que a criança quando ouve ou lê histórias têm a oportunidade de projetar seus sentimentos, de se identificar com personagens, mesmo que em alguns momentos seja o herói e em outras o vilão, o protetor ou protegido.

A fantasia pode ser vivida com intensidade, dando a chance à criança de aprender e a lhe dar com alguns de seus conflitos internos, ou até mesmo externos. As carências e medos são despertados com intensidade. As elaborações permitem ao pequeno sujeito se desenvolver colocando o desejo para funcionar, desenvolvendo o afeto e a curiosidade pelos elementos dos livros.

A literatura infantil é também uma forma importante de transmissão cultural, através dela as crianças tomam conhecimento de hábitos e maneiras de viver de povos distantes. Entramos em contato com diferentes narrativas e podemos relacionar com fatos e costumes históricos.

Apesar de todos os recursos tecnológicos atuais, dificilmente uma criança deixa de se envolver com uma boa leitura de história. Estão aí as feiras de livros que não nos deixam mentir, cresce cada vez mais a produção de livro infanto-juvenil. Recentemente tivemos o “boom” dos livros da série O Diário de Um Banana, apesar de todas as duras críticas feitas à obra, seu sucesso entre pré-adolescentes é inegável. Assim como na época do Harry Potter, quando a autora trouxe de volta a magia dos clássicos livros infantis com sua pitada de abracadabras, bruxos e vassouras voadoras. Também fala do desamparo, das conquistas, da sabedoria e do mistério, a autora vai assim resgatando as misturas que fazem parte do universo mágico infanto-juvenil.

Walt Disney também foi muito criticado pelas versões que deu aos contos clássicos de autores como Perrault, Jacob Grimm e Wilhelm Grimm (mais conhecidos como os Irmãos Grimm), Andersen e outros. Em alguns contos Disney faz profundas modificações, mas, mesmo assim, ainda considero que ele foi, em grande parte, responsável pelo retorno do interesse nos contos clássicos. Claro que sua difusão acabou sendo melhor aproveitada pela cinematografia, no entanto,  a produção literária teve seu impulso incentivado por sua obra.

No Brasil temos autores maravilhosos como Monteiro Lobato, Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Ziraldo, que não só explanam o universo infantil, como difundem o Folclore brasileiro através de suas lendas e culturas.

Contar e criar histórias são dois exercícios ricos e interessantes que revelam coisas que nem sabíamos que sabíamos, além de interagirmos com um mundo que por vezes ficou adormecido nos recantos de nossas infâncias.

“Os temas dos contos de fada não são fenômenos neuróticos, algo que alguém se sente melhor entendendo racionalmente de forma a poder se livrar deles. Tais temas são vivenciados como maravilhas porque a criança se sente entendida e apreciada bem no fundo de seus sentimentos, esperanças e ansiedades, sem que tudo isso tenha que ser puxado e investigado sob a luz austera de uma racionalidade que ainda está aquém dela. Os contos de fadas enriquecem a vida da criança e dão-lhe uma dimensão encantada exatamente porque ela não sabe absolutamente como as estórias puseram a funcionar seu encantamento sobre ela.”2

As crianças estão constantemente envolvidas com o mundo lúdico e a leitura pode e deve fazer parte desse mundo, mostrar figuras, deixar que as crianças analisem o que nelas contém e dar a oportunidade do afloramento da imaginação pode fazer parte de um jogo criativo e prazeroso.

Abramovich nos diz sabiamente, “Imaginar é também recriar realidades”. E prossegue mais adiante “Pois é só estarmos atentos ao nosso processo pessoal, às nossas relações com os outros e com o mundo, à nossa memória e aos nossos projetos, para compreender que a fantasia é uma forma de ler, de perceber, de detalhar, de raciocinar, de sentir o quanto a realidade é um impulsionador (e dos bons!!!) para desencadear nossas fantasias…1 (p. 138)

A escola é considerada por Nelly Coelho (2000), como um lugar privilegiado para o encontro com a literatura para esta autora “os estudos literários (…) estimulam o exercício da mente; a percepção do real em suas múltiplas significações; a consciência do eu em relação ao outro; a leitura do mundo em seus vários níveis e principalmente, dinamizam o estudo do conhecimento da língua, da expressão verbal significativa e consciente – condição sine qua non para a plena realidade do ser”.3

Não se lê história apenas para quem ainda não sabe ler, pelo contrário, a arte de contar histórias atravessou o mundo e o tempo, e inicialmente ela era contada principalmente para adultos.Temos a Bíblia como um exemplo perfeito disso.

Foi dessa maneira que o homem encontrou uma forma de transmissão de valores morais e culturais, transmitiu suas crenças e seus costumes, muitas histórias transmitem mitos, lendas e folclore. Geralmente, as histórias contêm em si uma mensagem, o que é comumente falado como a “moral da história”. Algumas dessas mensagens são otimistas e outras amedrontadoras; como Pinóquio que era delatado com o crescimento de seu nariz ao mentir.

“O ouvir historinhas pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo (a mesma história ou outra). Afinal, tudo pode nascer dum texto! No princípio não era o verbo? Então…” (Abramovich, 1997, p 22)

Na sala de aula o que deve ser despertado inicialmente é a curiosidade, conseqüentemente o prazer de ler, a leitura obrigatória só afastará os futuros leitores. Os chamados livros para-didáticos têm sido usados de maneira a incentivar a leitura, no entanto, o que tem sido observado é que as crianças acabam criando aversão a eles e afastam-se ao invés de se aproximarem do livro. A obrigatoriedade de preencher uma ficha ao final da leitura do livro, parece roubar o prazer, é mais uma testagem de verificação para ver quem leu ou não do que uma interpretação bem explorada do que o aluno absorveu da leitura.

Muitos estudos estão sendo desenvolvidos por pesquisadores nas Universidades sobre o efeito do aproveitamento da literatura infanto-juvenil como um processo facilitador da aprendizagem da lecto-escrita em crianças em fase de alfabetização, e os resultados têm sido muito positivos.

Os livros são perfeitos estimuladores da visão de mundo, da percepção, facilitam a comunicação, possibilita o desenvolvimento da imaginação e autonomia de pensamento. Alguém que lê e que ouve histórias desenvolve a memória, a linguagem, a leitura e conseqüentemente a escrita.

Texto escrito por Rita Simone Rossi C. Amado

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

  1. ABRAMOVICH, Literatura infantil. Gostosuras e Bobices. SP, Ed. Scipione, 1997.
  2. BETTELHEIM, Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. Rio de janeiro, Ed. Paz e Terra, 1980.
  3. COELHO, Nelly N. Literatura Infantil. Teoria. Análise. Didática. SP: Moderna, 2000.
  4. GILLIG, Jean-Marie. O conto na psicopedagogia. Porto Alegre: ARTMED, 1999.

 

 

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Sono x Aprendizagem

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Com o corre-corre da atualidade, estamos dormindo cerca de 20% menos do que os nossos antepassados, porque trabalhamos e estudamos por mais horas e ainda temos várias programações sociais noturnas. Não só os adultos, mas também as crianças e os adolescentes estão cada vez mais com as horas do dia comprometidas com tarefas e compromissos, reduzindo as horas disponíveis para o sono.

Muitas vezes ouvimos falar que a criança cresce enquanto dorme. Isso é verdade se considerarmos que na infância, a maioria dos hormônios do crescimento são liberados durante o sono.  Crianças que dormem mal possuem mais chances de terem problemas no seu desenvolvimento físico. Uma boa noite de sono repara os desgastes dos músculos e renova o sistema imunológico para um melhor desempenho, além de favorecer um equilíbrio do humor.

O sono noturno ajuda a controlar o metabolismos energético, relacionado à alimentação. A neurologista Rosa Hasan, responsável pelo laboratório do sono do Hospital São Luiz (SP), explica que o sono de qualidade ruim, desorganiza o metabolismo e prejudica a síntese de alguns hormônios, favorecendo a doenças como obesidade e depressão.

Nas últimas décadas, os cientistas descobriram que o sono é mais do que uma simples regeneração do nosso sistema nervoso. Durante o sono, dá-se a ativação do processo de aprendizagem, essencial para a formação da memória de longo prazo. Durante o sono, o cérebro não desliga, continua ativo.  Quando entramos em sono profundo, ativamos o cerebelo e as regiões frontais do cérebro que renovam nossa coordenação motora e a capacidade de planejar e executar tarefas, além de processar e armazenar as experiências vividas (aprendizagem do dia).

Uma boa noite de sono favorece a atenção e concentração durante o dia, enquanto um sono ruim dificulta a concentração que gera diminuição de registro na memória, além de favorecer para uma agitação do pensamento, que Augusto Cury denomina de SPA- Síndrome de Pensamento Acelerado. É muito comum que essa síndrome seja confundida com TDAH- Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, devido à agitação e dificuldade de atenção.

Pesquisas recentes mostram a importância não só do sono noturno, mas também os “cochilos diurnos” para fortalecer a memória. Os neurocientistas levando em consideração o cronotipo de cada indivíduo (preferência por determinados horários para realização de tarefas) dividem os indivíduos em matutinos, os que preferem dormir e acordar cedo e vespertinos, que enfrentam enormes dificuldades em dormir e acordar cedo. Isso acontece devido ao ritmo biológico de cada indivíduo.  Essa diferença se acentua na fase da adolescência, onde ocorre um atraso em relação ao relógio biológico, dificultando o acordar cedo e dormir cedo. Por esse fato biológico, alguns neurocientistas defendem a mudança no horário de início das aulas para os adolescentes, começando pelo menos duas horas mais tarde, porém os críticos ainda defendem que acordar cedo é uma questão de hábito, ignorando em pleno século XXI, os fatores do desenvolvimento biológico. Um bom cochilo diurno ajuda no bem estar da criança, no crescimento, no autocontrole emocional, no humor, na memória e no desenvolvimento em geral.

Assim como aprendemos a respeitar as diferenças individuais ligados ao desenvolvimento cognitivo e emocional, precisamos aprender a respeitar as diferenças ligadas aos desenvolvimentos biológicos de cada indivíduo, mas como toda nova experiência, temos que ter paciência para que ocorra assimilação e acomodação das novas descobertas biológicas.

Diante do conhecimento da importância do sono, surge a dúvida da quantidade ideal de horas para um bom sono noturno. Todos já ouviram dizer que é necessário dormir 8h por dia para se sentir bem. A quantidade ideal de horas para um bom sono noturno varia com a necessidade de cada indivíduo. Alguns indivíduos necessitam de apenas com 6 horas de sono para se sentirem bem, enquanto outros de até 10h.  Neurocientistas estabelecem uma média para adulto de 7 à 8 horas de sono diário, enquanto as crianças de 2 à 5 anos, precisam de 11 à 13 horas de sono ( noturnos e diurnos), Crianças de 6 à 10 anos, de 9 à 11 horas de sonos noturnos e os adolescentes precisam de uma média de 10h noturnas.

Conhecendo a importância do sono para o nosso cérebro e para nosso desenvolvimento geral, devemos tentar viver em harmonia com o nosso sistema neurofisiológico. Como vimos, a falta de boas noites de sono causam muitas consequências importantes: diminui a memória e atenção, aumentam risco de problemas cardíacos, aumenta o risco de obesidade, diminui a imunidade, ocasionam aparência cansada, altera o humor, favorece dores musculares, entre outras. Mesmo consciente dessas consequências, a privação de sono é uma realidade crescente na nossa sociedade. A correria do dia a dia, as extensas jornadas de trabalho e estudo e o crescente uso de aparelhos eletrônicos são fatores impactantes na qualidade do sono. Tudo isso nos convida a parar e refletir sobre os nossos hábitos de vida. Devemos tirar o pé do acelerador, diminuindo o ritmo de compromissos, disponibilizando mais tempo para o sono. Para que assim tenhamos ótimas noites de sono e dias bem mais tranquilos e produtivos.

Texto escrito por Betânia Carneiro Leão ( Fonoaudióloga e Supervisora Pedagógica da Escola Vila Aprendiz)

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EM QUE TEMPO ESTAMOS VIVENDO?

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Cronologicamente estamos vivendo no século XXI. Algumas pessoas tão preocupadas com o futuro, perdem as maiores riquezas do presente; outras estão tão arraigadas ao passado que reproduzem modelos arcaicos e sem significados.

O que fazer diante desta dicotomia? Qual o caminho a seguir?

Mario Sergio Cortela faz uma analogia interessante, que nos ajuda a refletir diante desta situação. Ele diz: “Se os alunos não são mais os mesmos, se o mundo não é mais o mesmo, como fazer do mesmo modo?”.

Em um automóvel, o retrovisor é sempre menor que o para-brisa. Claro! Porque passado é referência, não é direção. Nosso horizonte, que é o que o para-brisa mostra, é o futuro.

Algumas pessoas pensam em educação como um veículo que tem um para-brisa menor do que o retrovisor. Em todo o instante miram o passado, achando que as respostas estão em outros tempos. Muitas vezes elas podem estar lá mesmo, porém de lá só devemos trazer aquilo que precisa ser preservado, protegido e levado adiante. Contudo, muitas vezes, no nosso passado, o que encontramos é arcaico, aquilo que deve ser superado, deixado de lado. Estamos vivendo momentos de crise em nosso País, mas crise é um momento em que o que é velho ainda não morreu e o que é novo, ainda não nasceu. Esses momentos graves nos levam a parar, respirar e escolher caminhos.

Cortela diz que os momentos graves significam, como sempre na história da humanidade, a possibilidade de momentos grávidos. Sim, assim como a mulher grávida sofre para dar a luz, momentos graves são também grávidos! Afinal de contas, toda situação grave contém uma gravidez, ou seja, a possibilidade de dar luz a uma nova situação.

Porém, na educação, muita gente enxerga só a gravidade do momento e não vê a gravidez que ela contém. Passa a vida lamentando o tempo presente e recorrendo ao passado como o tempo ideal.

Enquanto reproduzimos uma educação “tradicional”, ou melhor, arcaica, a Finlândia, país primeiro colocado no ranking de educação, não se acomoda na condição de modelo educacional, “inicia mais uma reforma em busca de melhorias”, detalha Marjo Kyllonen, secretária de educação de Helsinque, numa entrevista a revista Educação, em Janeiro deste ano.

É de conhecimento de todos os educadores, que a educação tradicional foi criada para a era industrial, onde o foco era o trabalho individual, obediência `as regras, produção em massa e estabilidade no mercado de trabalho.

Mas o mundo mudou, as famílias mudaram e as crianças mudaram. Como essas crianças, educadas em um sistema arcaico, serão absorvidas por um mercado que busca criatividade e coletividade?

Marjo Kyllonen diz: “não estamos preparando as crianças adequadamente para o que vem por aí e para o que já está acontecendo.”

Se ela, que está a frente de uma Educação considerada a número um no mundo, faz esse alerta, o que diremos nós, educadores brasileiros, que lutamos para informar a nossa geração de pais que a escola que os formou tem que viver transformações para formar seus filhos?

Agora a realidade é outra, a do disciplinamento da convivência, do uso de tecnologia e da capacidade de construção de uma escola que não seja arcaica, que saiba lidar com aquilo que é secular, mas que não pode estar em outro século que não o século em que ela está.

O outro século tem que vir para agora e não a Escola estar em outro século. Mudança é algo muito difícil para nós humanos, sentimos prazer naquilo que nos é familiar, mas às vezes precisamos promover mudanças. Um ditado árabe diz: “Homens são como tapetes, às vezes precisam ser sacudidos.” É preciso dar uma sacudida e tirar a poeira de tempos em tempos.

Agora, vamos rever  nossos conceitos, flexibilizar nossas atitudes e alterar nossa postura para que possamos viver literalmente o século XXI.

 Fonte: Texto escrito por Sandra Kattah – Diretora Pedagógica da Escola Vila Aprendiz

 

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Como lidar com o tema “perdas” e a morte com as crianças?

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Morreu o cachorrinho… E agora? Como dar a notícia? Dizer que virou “estrela”?

Acolher as inquietações de cada um e responder às dúvidas com explicações verdadeiras é um caminho para auxiliar a superar uma perda, seja ela qual for.

TERMINA A VIDA. O QUE VEM DEPOIS? Quem enfrenta a tristeza de uma morte vivencia o luto até a perda ser aceita. Para auxiliar a enfrentar essa fase, que é importante ser “falada” e vivida, é preciso falar com sinceridade. Respostas fantasiosas tendem a prolongar o sofrimento.

“É uma coisa curiosa, a morte (…). Todos nós sabemos que o nosso tempo neste mundo é limitado e que eventualmente todos nós acabaremos embaixo de algum lençol para nunca mais despertar. E, no entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece com alguém que conhecemos.” Reflita por alguns instantes sobre como você se sentiu ao ler essa citação do autor infanto-juvenil Lemony Snicket, no livro Raiz-Forte. Quais sentimentos prevaleceram: medo? Resignação? Indignação? Identificação? A resposta depende da maneira como cada um lidou (e lida) com as inevitáveis perdas que a vida nos traz – a de um amigo que se mudou para longe, o desaparecimento de um animal de estimação ou a morte de um parente querido. Sempre que um desses eventos ocorre, passamos pela chamada elaboração do luto – um processo psicológico que atinge o indivíduo, sua família e os grupos da sociedade dos quais ele participa, um período doloroso (e necessário) de intensa tristeza, que dura até que a pessoa aceite a perda e possa seguir em frente com a vida.

Embora as crianças (sobretudo as mais novas) ainda não compreendam inteiramente a ideia de morte, o assunto deve ser discutido na escola e em casa para que elas tenham a oportunidade de trocar opiniões com os colegas e também encontrar apoio para encarar o sofrimento. A origem da crise, em geral, se dá com a morte de um familiar ou de uma pessoa próxima, mas também pode ocorrer em casos como a separação dos pais, a morte de uma personalidade famosa e até de uma mudança brusca, como a troca de cidade ou de escola. Todas essas situações geram dificuldades para as crianças. Como o comportamento das pessoas ao redor interfere no enfrentamento das perdas, uma intervenção adequada no momento certo é de grande importância, podendo ajudar no encaminhamento do luto e no restabelecimento das condições emocionais dos pequenos.

Para os estudiosos do tema, o principal requisito para uma atuação eficaz é se apoiar na verdade. Afinal, uma informação distorcida pode interferir na conscientização da perda e na sua aceitação. “A morte faz parte do processo da vida. Contar uma mentira, dizer que a pessoa foi viajar, que virou estrela ou qualquer outra resposta evasiva só irá prolongar o sofrimento. Quando se deparar com a verdade, a criança se sentirá enganada e a relação de confiança será quebrada”, explica Valéria Tinoco, supervisora do Instituto de Psicologia 4 Estações, em São Paulo.

VAI-SE O LUTO, FICAM AS LEMBRANÇAS. Passado o período de intensa tristeza, a criança não esquece o que ocorreu. A perda continua sendo uma lembrança muitas vezes dolorosa, mas já não a impede de tocar a vida em frente. Isso, entretanto, não significa que a discussão seja simples. E não é simples porque são raros os pais que educam os filhos para enfrentar perdas, como são raras as escolas que incentivam discussões sobre o tema. Acredita-se que o tempo se encarregará de ensinar. Não pode ser assim. É preciso falar que nossa existência é finita. Desde os 2 anos, a criança é capaz de entender a perda: um animal de estimação que foge, a ausência dos pais e a morte em desenhos animados. Porém, até os 3/4 anos ela tem a ideia de que isso é reversível.

Aos 4 anos, o medo e a culpa começam a andar juntos. Nesta fase ele começa a ter medo que seus desejos de ira contra seus entes queridos se torne realidade. É importante deixar claro em uma conversa entre pais e filhos que, por mais que ele esteja zangado por algum motivo, isso vai passar e o amor entre eles não será abalado.

Ao passar do tempo os medos começam a possuir mais relação com a realidade. Os medos mais comuns entre 6 e 7 anos são o fracasso escolar, de perder pessoas queridas, de errar.

 O que eles mais temem?

Aos 6 anos 

  • Pessoas deformadas (temem que o problema aconteça com elas);
  • Chegar atrasado à escola;
  • Ser esquecido na escola;
  • Fracasso escolar;
  • Medo do erro;
  • De perder as pessoas queridas;
  • Da rejeição social

Aos 7 anos

  • Escuro;
  • Seres sobrenaturais;
  • De passar por ridículo;
  • Fracasso escolar;
  • Medo de errar

Como lidar com o medo:

  • Dar atenção, questionar e estimular a criança a enfrentar o medo. Ela encontrará sozinha uma solução para as suas fantasias.
  • Não fale demasiado sobre o assunto para evitar que a criança fique mais ansiosa.
  • Mude de assunto e distraia. Mas nunca deixe de responder aos questionamentos.
  • Fale sempre a verdade sobre os medos reais para que a criança tenha a noção de perigo. Ela tem de saber, por exemplo, que as escadas e as piscinas representam alguns riscos, mas não é preciso exagerar.
  • Brinque com o seu filho e entre na fantasia dele. As experiências lúdicas ajudam a lidar com as suas ansiedades, o bicho mau é um exemplo.
  • Bonecos e brinquedos treinam a criança para a vida. As crianças gostam de representar em brincadeira o sentimento de medo frente a uma situação real, como a ida a um hospital.
  • Faça a apresentação formal das pessoas para que a criança saiba que aquele estranho tem autorização dos pais para se aproximar.
  • Ofereça objetos para que a criança se sinta mais segura, principalmente na hora de dormir. São os objetos aos quais chamamos transacionais e que reduzem a ansiedade da criança até adormecer.
  • Avalie a intensidade do medo e fique atenta para o limite da normalidade, que faz parte da rotina saudável da vida.

Texto adaptado por Gabriela Camarotti. Fontes: Blog Oficina de Psicologia, Revista Fábulas).

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TV, games e aprendizado

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Quando o assunto é TV, games e outros dispositivos eletrônicos, a Academia Americana e a Sociedade Brasileira de pediatria concordam: o ideal é “zero telinha” até os dois anos de idade. Dos 2 aos 5 anos, o tempo dedicado aos eletrônicos deve ser, no máximo, de duas horas por dia, somando todos os meios. Infelizmente as famílias não seguem esta cartilha. Segundo a neuropediatra Christian Muller, “Os prejuízos são físicos (dores de cabeça, problemas de vista precoce, alterações na postura), emocionais e comportamentais (irritabilidade, agressividade, alteração no sono, sexualidade precoce, dificuldade de aprender e se concentrar)”. Segundo a Neuropsicóloga Adriana Foz, “as crianças que são submetidas à TV e jogos por muitas horas deixam de emitir ordens cerebrais do tipo ‘beta’, que são responsáveis por medir a atividade do lóbulo frontal, que controla as emoções. Assim, quando o nível de ondas beta diminui, as pessoas se irritam com mais facilidade e apresentam problemas de concentração, explicou o pesquisador. Isso foi comprovado após estudos realizados com 240 crianças, entre 3 e 9 anos.

Os jogos eletrônicos provocam ainda mais distúrbios de atenção, dificuldade de aprendizagem e de hiperatividade do que a TV. Na maioria dos jogos utilizados normalmente com muita luz e ação de movimentos repetitivos, sucedendo-se com rapidez, a reação do jogador é sempre automática, pois o pensamento consciente é muito mais lento. Assim, esses jogos representados em máquinas especiais como Playstation e Game Boy, conseguem exibir da ordem de um bilhão de imagens por segundo, mas só quem “percebe” isso é o cérebro. Ou seja, esta prática provoca uma deseducação da concentração. Como uma criança vai tolerar ficar quieta em uma carteira, em processo de alfabetização escolar, se estão viciadas em agir freneticamente nos jogos eletrônicos de ação? Atenção exige concentração mental.

Estamos falando aqui de dificuldade em aprender, que gera baixa autoestima, afastamento social e tantos outros “sentimentos” que podem ser transformados em patologias e/ou problemas graves durante o crescimento.

O aumento do uso de drogas psicotrópicas pode ser devido justamente à incapacidade de se criar imagens interiores, capacidade prejudicada pela TV e pelos jogos eletrônicos; como isso talvez seja uma necessidade, elas são criadas artificialmente pelas drogas.

Quem lê exercita seu pensamento lógico ou imaginativo. Quem vê TV ou joga video game está cada vez mais prejudicando sua capacidade de imaginar e pensar. Isso é ruim para adultos, mas é trágico no caso de crianças e jovens, que não aprendem a controlar seu corpo e suas ações.

Augusto Cury, médico estudioso da função cerebral há mais de 30 anos, descobriu a Síndrome do Pensamento Acelerado. Essa síndrome diz respeito à construção do pensamento. Quando pensamos rápido demais ou em excesso, violamos o que deveria ser inviolável: o ritmo da formação do raciocínio/ pensamentos.

Isso gera consequências seriíssimas para a saúde emocional, como a ansiedade. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 20% da população sofre com a depressão. A ansiedade provavelmente é sentida por 80%, de crianças a idosos. Pensar é bom, pensar com consciência crítica é ótimo, mas sem gerenciamento, desenvolver uma atividade cerebral impulsiva é uma bomba para a saúde psíquica, para o desenvolvimento de uma mente livre e criativa. Toda vez que hiperaceleramos os pensamentos, a emoção perde em qualidade, estabilidade e profundidade. São necessários cada vez mais estímulos, aplausos e reconhecimento para sentirmos migalhas de prazer. E assim estamos formando uma sociedade infeliz e cheia de problemas.

 

Texto: Gabriela Camarotti

 

 

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Filhos inseguros?

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Cuidado, a culpa pode ser sua. Na ânsia de proteger as crianças, estamos criando para o futuro adultos dependentes, sem iniciativa e incapazes de lidar com frustrações.

Embora seu filho já tenha condições de colocar os brinquedos no lugar, é você que sempre recolhe a bagunça pela casa. Toda vez que sua filha se recusa a jantar, você espera que ela tenha fome e prepara um lanche. A criança esquece de levar o caderno para a escola, e você se desdobra para fazer o material chegar lá. O pequeno fica doente e precisa tomar uma injeção, você compra um presentinho fora de hora para compensar o desconforto. Se alguma das afirmações acima é verdadeira para você, um alerta: essa postura pode estar deseducando sua prole. “Pais que direcionam e facilitam demais a vida dos filhos não dão oportunidade para que eles tentem resolver os próprios problemas, impedindo seu desenvolvimento”, diz a educadora mineira Flávia Vivaldi, que pesquisa a construção da autonomia infantojuvenil há cinco anos.

Nos últimos 15 anos, um numero crescente de estudos passou a investigar a superproteção parental e suas consequências. Os mais recentes, divulgados ao longo de 2015 no Journal of Children and Family Stydies, publicação que reúne artigos científicos de universidades do mundo todo, apontam: pais que resolvem problemas pelos filhos e se intrometem demais em suas atividades sinalizam aos pequenos que o mundo é ameaçador, aumentando seus níveis de ansiedade e alterando o bem-estar emocional e a percepção que eles têm de si próprios e de suas capacidades. “Essas crianças se tornam impulsivas, egoístas e se transformam em jovens imaturos, que não assumem responsabilidades. Têm pouca confiança em si mesmas, quase nenhum autocontrole e muita dificuldade em ser gratas”, avisa Adriana Ramos, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Moral, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), umas das principais referências dessa temática no país.

Esse jeito de educar rendeu até um nome: são os pais helicópteros, que estão sobrevoando os filhos para evitar que sofram e se frustrem. Ao menor sinal de perigo, aterrissam e prestam socorro a eles. Com a melhor das intenções e expectativas muitas vezes bem altas, esse grupo acaba assumindo responsabilidades pelas crianças, que geralmente são matriculadas em uma série de atividades, e interferindo nas escolhas delas. Autora do recém-lançado livro How to raise an adult, (em tradução livre “ Como criar um adulto”), Julie Lythcott-Haims, ex-reitora da Universidade de Stanford, observou em uma década no cargo que, a cada ano, os calouros eram mais brilhantes, mas menos capazes de cuidar deles próprios. Seus responsáveis, por sua vez, foram se tornando mais e mais intrometidos. “Dar liberdade aos filhos significa tolerar um pouco de incerteza em troca de ensinar as habilidades de que eles precisam para ser competentes e confiantes”, afirma ela, que teve a ideia para o livro quando, depois de um dia atendendo pais ansiosos e jovens sem iniciativa, se surpreendeu cortando o bife para o próprio filho, então com 10 anos – que, claro, já tinha condições de fazê-lo sozinho,

Para a advogada Ana Carolina Marcari, de Poços de Caldas(MG), uma gravidez difícil e a própria educação, cercada de cuidados, foram determinantes para o excesso de zelo com o filho, Ótavio, hoje com 10 anos. Ela conta que não deixava o menino andar de bicicleta nem brincar no escorregador. Só percebeu que estava exagerando quando foi chamada na escolinha: a professora comentou que o pequeno, de tão apreensivo, não aproveitava o momento do parquinho, importante para o desenvolvimento da coordenação motora. “A escola me ajudou a abdicar de alguns medos, mas ainda preciso melhorar”, afirma ela, depois de assumir que, no meio da tarde de nossa entrevista, já tinha ligado sete vezes para o filho.

É comum essa mania de superproteção das crianças invadir a escola. Segundo Flávia Vivaldi, com frequência os pais se envolvem em conflitos, justificando atrasos de adolescentes e até solicitando alteração do calendário escolar por uma questão da família. “Hoje, há uma preocupação em evitar traumas e não abalar a autoestima , algo que não existia 20 anos atrás. Além disso, muitas vezes há uma grande culpa por passar boa parte do tempo trabalhando. Isso não é bom. A criança deve saber que você trabalha para garantir a educação, saúde, bem –estar dela”, explica Zélia Maria Moreira, diretora da escola de Otávio, onde são organizadas reuniões para os pais. Quem tem filho único (como Ana Carolina) recebe atenção especial nesses encontros. “Se a criança está acostumada a ser o centro das atenções, é natural que tenha problemas para lidar com colegas na escola, emprestar brinquedos, etc”, aponta.

Pequenas frustrações, um pouco de solidão e até de tensão para resolver um novo desafio – como o simples manejo dos talheres pela primeira vez – ajudam a formar indivíduos independentes, dispostos a enfrentar o mundo e, na hora certa, aptos a arriscar. Por isso, quando o desejo de proteger o filhote e a angústia de expô-lo a uma potencial decepção apertarem, respire fundo. Nesses momentos, Ana Carolina se lembra do conselho de uma amiga: “Carol, deixa o menino ralar o joelho”.

 

Fonte: Revista Cláudia – Janeiro 2016 ( Texto escrito por Bruna Nicolielo)

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Brincar é coisa séria

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Brincar é uma expressão que está naturalmente dentro do homem, e que pode ser manifestada de diversas formas.

O essencial de brincar é a liberdade de tempo, de espaço e de criação. Quem brinca é espontâneo, e a espontaneidade é a linguagem da alma.

Brincar é viver em plenitude, é uma forma de afirmar a alegria da vida.

Brincar é a maneira mais simples de reorganizar nossa rotina, de mostrar o nosso interior, o nosso lado avesso.

A partir da brincadeira o ser humano faz os contatos sociais mais puros. É uma necessidade básica, que deveria ser explorada com mais seriedade. Até os animais brincam… E através do ato de brincar eles se descobrem, se relacionam, se conhecem, medem força, treinam, conquistam o respeito e seu espaço.

Com o humano não é diferente, porque brincar é necessário para a construção do ser. E esta necessidade se estende para além da infância. É como se fôssemos um violão, que só ecoa sua mais bela canção quando todas as cordas são dedilhadas, são “acionadas”. Mas infelizmente tem gente que morre e só aciona uma ou duas cordas do violão da sua vida.

Brincar é uma coisa séria: faz ficar focado, faz levar um objetivo até a última consequência, desperta dedicação e prazer. Os adultos deveriam realizar suas atividades com a “seriedade” das brincadeiras infantis… Porque é na brincadeira que a criança é unidade, é inteira: sente, pensa, vive, vai além, exagera, extrapola.

Quando a criança pensa em fazer um carro de rolimã ela pensa nele por inteiro. Planeja o que vai precisar, pesquisa, executa… E brincando ela vai achar a solução para os problemas que surgirem, vai ser criativa, vai se reinventar quando algo der errado, vai lidar com a frustração, vai pedir ajuda. Quem não brinca fica diminuído nas suas possibilidades.

Brincar é visto por Winnicott (1975) como uma forma de desenvolvimento universal. Conduz a criança aos relacionamentos grupais, facilitando o crescimento e servindo de meio de comunicação, principalmente nos processos psicoterápicos. Algumas vezes, por si só, a brincadeira é autocurativa, pois o brinquedo ajuda a criança a elaborar as dificuldades emocionais sem que perceba que isso está acontecendo. Freud (1907) dizia que as ocupações favoritas e mais intensas das crianças são os brinquedos e os jogos, e ainda a compara a um escritor criativo, pois a criança é capaz de criar um mundo próprio, cheio de imaginação e riqueza de detalhes. Ela leva a sério sua brincadeira e investe muita emoção nela, conseguindo, entretanto, distinguir brincadeira e realidade. Os brinquedos e os jogos funcionam também como estabelecedores de regras, ajudam o desenvolvimento da coordenação motora e da linguagem.

Proibir a criança de brincar é matar o ser humano no seu início, pois a nossa essência nasce daquilo que nos é fornecido na infância. O conteúdo das brincadeiras, a leveza, a forma de olhar para a vida, insistir no que queremos e não de encontrar obstáculos para nossos objetivos.

Estas características são tão construtivistas e essenciais na formação de um adulto, de um pai, de um profissional, que se pararmos para ler, estudar e fazer uma conexão entre a importância de brincar e os grandes nomes da tecnologia, o que encontraremos? Onde estão os filhos das pessoas que mudaram o mundo com potências como a Apple, Google e Microsoft? Estão brincando em fazendas, livres, em contato com a natureza, longe dos eletrônicos. Eles querem garantir a essência da infância, porque já perceberam que essas crianças são as mais felizes, as mais otimistas, as que serão mais criativas e que irão inventar coisas mais interessantes. Até seus escritórios são diferentes e seus funcionários “livres”. O brincar do adulto é seu processo criador. E é claro que esta criança que planeja brinquedos, cria jogos, anda com os pés descalços, escuta música, dança cantiga de rodas, joga peão, pula corda, etc., será um adulto alegre, e muito mais lúdico e criativo na sua essência.

E assim sendo, não importa a profissão que ele vai escolher, sua probabilidade de ser feliz e ter sucesso é muito grande. Porque será um médico que fala com os pacientes de forma diferente, um arquiteto que cria traços mais ousados, um pintor com novas técnicas de imagem, um pedagogo com olhar diferente…

Não dá para determinarmos o que nossas crianças vão ser quando adultos, mas podemos “implantar” nelas, através da brincadeira, caracteristicas essenciais para serem especiais, para lembrarem sempre de que há uma criança morando em cada adulto, e que esta criança precisa ter voz e vez, pois mantêm em nós o território sagrado da infância, que nos faz olhar o mundo com esperança, compaixão, humildade e leveza.

 

Texto escrito por Gabriela Camarotti

 Fontes: FREUD, S. (1907/8) Escritores Criativos e Devaneios. /WINNICOTT, D. W. O Brincar & a Realidade. Ed. Imago: RJ, 1975/Filme Tarja Branca – A Revolução que Faltava, dirigido por Cacau Rhoden/www.portaleducação.com.br/ monografias.brasilescola.uol.com.br

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Neuropsicopedagogia, você sabe o que é isso?

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Em entrevista a Revista VEJA do mês de Abril, o neurocientista português António Damásio, 69 anos, e um dos maiores nomes da neurociência na atualidade, fala sobre como as emoções e sentimentos são essenciais ao influenciar a tomada de decisões e moldar a razão humana, e fazer o indivíduo aprender. O neurocientista afirma ainda que a felicidade está ligada a certas moléculas químicas e a tristeza a outras. Quando estamos felizes as imagens e informações se sucedem com mais rapidez, se associam mais facilmente. Na tristeza, na angústia, na pressão de alguma situação, as imagens passam muito mais devagar e ficam como que impressas ali por um tempo, na memória sensorial ou de curto prazo. O ponto ideal para desenvolver o raciocínio é a afetividade, a felicidade sem euforia, porque na euforia o pensamento se embaralha. E o que isso tem a ver com Neuropsicopedagogia?

Aliada a neurociência, a pedagogia e a psicologia trazem o amplo conhecimento das bases neurológicas do aprendizado e do comportamento, facilitando assim seu estímulo nos diversos contextos e, consequentemente, o sucesso no processo educacional.

Sua primeira descrição no campo científico se deu através de Jennifer Delgado Suárez, no artigo intitulado “Desmistificacion de la neuropsicopedagogía” no qual apresentou uma composição histórica da trajetória neuropsicopedagógica e ressaltou sua importância para o contexto educativo. A Neuropsicopedagogia é um novo campo de conhecimento, que une diversas áreas da pedagogia, psicologia e da medicina, contribuindo diretamente para os processos de ensino-aprendizagem. Através dos conhecimentos neuropsicopedagógicos existe a possiblidade de entender como se processa o desenvolvimento de aprendizagem de cada indivíduo, proporcionando-lhe melhoras nas perspectivas educacionais e dessa forma desmistificar a ideia de que a aprendizagem não ocorre para alguns. Na verdade sempre acontecerá a aprendizagem, entretanto para uns ela vem acompanhada de muita estimulação, atividades diferenciadas, respeitando um ritmo e um processamento da informação que não é igual para ninguém.

Dentro desta linha de pensamento as contribuições de Tokuhama-Espinosa (2008, apud Zaro, 2010, p. 204), podem ser consideradas de significativa importância e utilizadas como elementos importantes nas intervenções pedagógicas: a) Estudantes aprendem melhor se motivados, e o cérebro precisa de desafios novos a cada 15/20 minutos; b) ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado; c) o tom de voz de outras pessoas é rapidamente julgado no cérebro como ameaçador; d) as emoções têm papel-chave no aprendizado; e) nutrição impacta o aprendizado; f) sono impacta consolidação de memória.

Segundo as considerações acima é possível afirmar que o ato de aprender é complexo, e não envolve somente a memorização dos conteúdos. Assim, o grande desafio das instituições educacionais é conseguir atender às diversidades de aprendizagem, perceber e identificar como cada aluno aprende.

Apenas entendendo as bases do aprendizado, como o cérebro forma novas conexões, forma as memórias, a importância da motivação para a formação de talentos, para o desenvolvimento de habilidades, será possível lidar com as novas gerações de alunos. E esse deve ser o grande diferencial do educador, perceber que não é um ser somente de informação. Ele precisa saber qual o melhor método para que os alunos possam “consolidar” o conhecimento. Ter a clareza de que os conteúdos são comuns a todos, mas a metodologia de trabalho deve estar pautada em práticas que contemplem o indivíduo como seres únicos e capazes, transformando-as em cidadãos equilibrados emocionalmente, que saibam ser críticos e respeitar o outro, as regras da sociedade. Se as escolas não pensarem assim, em um desenvolvimento completo, estarão simplesmente reproduzindo o que o aluno poderá encontrar em qualquer mídia disponível na atualidade.

 

Escrito por Gabriela Camarotti

Fontes: HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Neurociências na Educação.

www.neuropsicopedagogianasaladeaula.com.br/ Revista Veja – edição Abril 2015/ www.cienciasecognicao.org

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A importância da rotina

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Planejar a rotina para seu filho é muito importante! Significa cuidar para não introduzir, desde cedo, o costume de uma vida atribulada, sem planejamento, sem organização, com tempo escasso para as relações e para os momentos de interação e troca.
Além disso, como lembra Sonia Madi – psicopedagoga – é importante deixar de lado o medo de colocar limites: “Dizer não é muito importante! É um fator estabilizador. Muitas vezes, se pensa que se está protegendo seu filho evitando o “não”, mas isso é um grande engano”. Mesmo os pais mais ausentes, que só conseguem estar com os filhos em poucos momentos do dia, devem estabelecer os limites, as regras da casa, e fazer com que sejam cumpridos. A rotina e os limites são estruturantes.
Para a criança o tempo é algo complexo. É através das suas rotinas que a ela antecipa o que irá acontecer e adapta o seu comportamento à tarefa seguinte. As rotinas transmitem segurança à criança, deste modo ela já sabe que no fim da escola a mãe a irá buscar, que antes de jantar deve tomar banho, que a hora das tarefas é muito importante, que precisa dormir cedo, etc.
As principais rotinas que se devem manter com as crianças são: horas de refeição; hora de deitar; hora de estudar; hora de brincar e tempos em família. E isso pode ser estabelecido junto com as crianças, de modo que elas se comprometam com aquelas atividades. Pode-se, inclusive, montar um quadro de rotinas em casa, que deve ser adequado para cada filho e suas atividades.
A rotina desorganizada, sem horários certos para cada coisa, irá gerar um adolescente e um adulto desorganizado, possivelmente descomprometido.
A organização das atividades diárias não impedirá que a criança desenvolva autonomia e criatividade. A coerência e a flexibilidade devem fazer parte do processo de estabelecimento das regras. Todavia a rotina é fundamental na formação de cidadãos responsáveis e confiantes. Sua ausência gera medo e ansiedade não somente nos pequenos como também nos adultos. Portanto criar rotinas é positivo e deve iniciar desde a mais tenra idade. Quando se estabelece os horários das mamadeiras, da sopinha, do solzinho do bebê, até o horário em que o adolescente deve por o lixo para fora, cuidar do cachorro, fazer a tarefa, jogar videogame, voltar para casa ou ir para a cama dormir; evita-se a formação de uma geração de jovens e adultos irresponsáveis, desorganizados e ansiosos. A educação permissiva e a suposta liberdade oferecida pela família não apresentam resultados positivos. Regras são essenciais e a rotina é referência na vida de crianças e adolescentes; porque direciona, organiza e equilibra suas vidas para mais tarde darem conta de seus compromissos tornando-se adultos mais bem sucedidos.

Texto escrito por Gabriela Camarotti
Fontes: Portal da Educação
​ Livros: A Construção da Identidade – CERISARA, Ana Beatriz

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Erros e Acertos: Como Educar através do exemplo útil

Educar dar exemplo
Um exemplo só vale mais que mil palavras se for capaz de transformar-se em ação cognitiva e útil, e tudo isso a partir da conduta lúcida…
“Acertar a partir dos erros é sabedoria. Errar a partir de acertos, burrice…”.

Explicar para uma criança, através do exemplo, o que significa um tijolo quebrado, isso é relativamente fácil. Basta que ela visualize o tijolo inteiro e depois o processo da quebra e está feito. Não será preciso repetir o gesto, afinal de contas, a demonstração já resume tudo. Assim, a experiência visual já é suficiente para que ela compreenda o que aquilo significa.

Já a experiência sensorial, onde ela própria irá quebrar o tijolo, isso é outra coisa. Desse modo, temos então dois aspectos: a compreensão visual e a sensorial. São dois níveis cognitivos. Há o efeito visual e a sensação táctil. E isso deveria finalizar todo processo de aprendizado em relação a essa coisa.

Mas existe ainda um terceiro elemento que é o acabamento teórico ou textual, quando, através de palavras, tentamos explicar os outros dois. Nesse caso, quando essa condição é praticada isoladamente, como não há o exemplo demonstrando o fato, aquela informação servirá apenas como dica ou indicação de uma possibilidade, que ela poderá ou não comprovar mais tarde.

O aprendizado completo só ocorre quando a criança tem a experiência visual, seguida da sensorial, e complementada pelo esclarecimento textual ou explicação detalhada do que aconteceu. E quanto mais ela aprende sobre a experiência que acaba de ter, maior será a qualidade da sua cognição.

Entretanto, nem todo processo cognitivo segue esse padrão à risca. Isso significa dizer que nem sempre uma experiência pessoal terá o complemento textual para ajudar a esclarecer a ocorrência. O fenômeno do sonho ou pesadelo lúcido é um desses casos, uma vez que a comunidade científica ainda bate cabeças em busca de explicações sobre esse estado anímico, ou ignora, ou ainda desconhece por completo a existência desse processo.

“Para uma criança, conhecimento útil é aquele que ela é capaz de transformar em ação e dele tirar algum proveito…”

A maioria dos ensinamentos que as crianças captam dos adultos através dos exemplos, muitas vezes ocorre de forma discreta e involuntária. Isto é, o adulto no papel de orientador, não se dá conta de que está ensinando ao sempre atento jovem que está ao seu lado.

Pode ser uma mania, a expressão de uma reação de raiva ou violenta, ou ainda um gesto de empatia ou antipatia. Em outras ocasiões, uma insatisfação, uma crítica sem fundamento, um vício ou dependência somática, ou até mesmo um mau costume. Lembrando sempre que uma criança possui sentidos mais aguçados que os adultos, por isso é mestra em captar particularidades comportamentais que facilmente seriam desprezadas pelos mais velhos, muito embora seja incapaz de compreender o que está ocorrendo.

E em sua mentalidade ainda incipiente o que importa é a utilidade, e não a qualidade. Um bom conselho teórico, por mais qualificado que seja, para uma criança muito pequena, tem o mesmo valor que uma moeda de ouro para um gato.
Se não vier precedido do respectivo exemplo, de modo que ela seja capaz de comprovar com sua memória visual e então associar à experimentação sensorial, todo processo será perda de tempo. Mas, ainda assim, poderá ficar guardado, sem garantias, como uma lembrança possível de ser usada como padrão associativo para suas futuras vivências.

Por isso, para uma criança pequena, ainda carente de lastro cognitivo, ensinar a fazer tem mais valor do que dizer que pode ser feito. Já para um jovem, com mais experiência de vida, cujo lastro intelectual já o permite associar a palavra ao fato, a dica é sempre preciosa, e se vier de fonte qualificada e íntegra, podemos considerar uma benção.

No entanto, engana-se aquele que vê o aprendizado como um processo que chega ao fim. Na verdade trata-se de um caminho infinito, onde a experiência de hoje sempre irá servir como alicerce para a compreensão de amanhã. E eis a razão porque está sempre incompleto.

Ainda assim, podemos ver quando começa. Por isso o esclarecimento na hora da dúvida é fundamental, insubstituível, fará toda diferença. Mas, para que isso aconteça é preciso que a prática da dúvida se transforme em um hábito, o que acontece naturalmente quando a explicação que pode se converter em aprendizado está disponível; quando o educador consciente está presente.

Mas a criança só terá dúvida se souber o que isso significa, e o mais importante, se tiver o aporte necessário para elucidar seu questionamento. E mais uma vez, nesse ponto, o papel dos pais é insubstituível, uma vez que serão os responsáveis pelo surgimento dessa qualidade em seus filhos. Desse aporte inicial pode nascer a verdadeira inteligência, aquela que só é capaz de aflorar quando não temos certeza de nada.

Um erro cometido é a melhor forma de exemplificar qualquer ensinamento. Assim, o pai ou educador atento, usará desse valioso argumento cognitivo com os seus filhos, ou alunos, sempre que a ocasião se fizer presente.

E no dia a dia não faltarão oportunidades. Pode ocorrer nos pequenos detalhes, a partir de erros discretos, ou mesmo insignificantes, afinal de contas, o terreno precisa ser preparado antes que os grandes eventos ocorram. Pela ciência do menos se chega ao mais.

Mas, sem paciência é bom nem começar. A impaciência é um péssimo mau exemplo, especialmente para a instável sensibilidade infantil. Ocorre que, qualquer mudança negativa no estado emocional dos adultos, poderá desencadear traumas irreparáveis naquele pequeno cérebro, ainda em busca de um alicerce consistente para construir sua personalidade.

Para a criança, o melhor ensinamento é aquele que pode ser demonstrado de forma prática, ou seja, através da autoexperimentação. Já para o jovem, além da vivência, o esclarecimento sobre o que está acontecendo, este é um complemento imprescindível.

Entretanto, talvez o mais importante de tudo isso seja a descoberta das predisposições inatas da criança, ou dos traços falhos e fortes em um jovem com mais idade. De posse desse acervo, o educador poderá ser mais eficiente em orientar cada um dos seus alunos ou filhos, encaminhando-os da forma adequada para a descoberta e uso da vocação.

E lembrando mais uma vez que, uma palavra ou descrição, por mais refinado que seja seu detalhamento e contextualização, ainda assim é incapaz de injetar sensorialmente dentro daquele indivíduo a compreensão da experiência de outro.

Fonte:

Autores: Alberto Silva Filho e Jon Talber

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