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O “Novo” Ensino Fundamental

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Em 2006, o Brasil levou um susto com a lei federal que estipulou que crianças com 6 anos passariam a ser matriculadas no primeiro ano do ensino fundamental. Não houve uma discussão “pública” e a maior parte dos envolvidos – pais e educadores – tiveram mais dúvidas do que certezas, por muito tempo.

Como explicou Francisco Aparecido Cordão, presidente da Câmara de Educação Básica, a escolha por essa data aconteceu para organizar a matrícula. “A expressão ‘início do ano letivo’ gera diferentes interpretações, por isso foi determinado esse corte, que é o mesmo adotado em outros países do Mercosul”, diz. Esta foi a segunda parte da polêmica instaurada a partir da mudança que “tirou” este grupo da pré-escola e estendeu o ensino fundamental de oito para nove anos. “Tudo aconteceu de forma pouco clara, sem uma discussão prévia com os professores e as universidades. Mas acredito que as escolas, principalmente as particulares, têm feito o seu melhor para se adaptarem”, afirma Maria Luiza Rodrigues Flores, professora da UFRGS e integrante do Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (MIEIB).

Mas, afinal, como as escolas se adaptaram? Ou como deveriam? Cada uma encontrou um jeito para receber a meninada de 6 anos. Maria Luiza defende que o ideal seria pensar no que é melhor para a criança de 6 anos, não importa se é ensino fundamental ou infantil. “É preciso valorizar um currículo com jogos e brinquedos e pensar sobre o espaço físico mais adequado.”

Todo o cuidado das escolas em não “roubar” um ano da infância é necessário e fundamental para o desenvolvimento dos pequenos. “Aos 6 anos, a criança está em transição. É nessa idade que ela adquire a função simbólica, necessária para aprender a ler e a escrever. Por isso, ainda não está totalmente pronta para a alfabetização formal – o que começa a acontecer aos 7”, diz Elvira Souza Lima, neurocientista e pesquisadora em educação e aprendizagem.

O importante é encarar essa fase como um período transitório, em que exista uma porcentagem de atividades lúdicas e só aos poucos mais sistematizadas. Segundo as diretrizes curriculares do CNE de 2010, “a escola deve adotar formas de trabalho que proporcionem mobilidade às crianças na sala de aula, explorar com elas mais intensamente as diversas linguagens artísticas, começando pela literatura.

Instituir o início do ensino fundamental aos 6 anos de idade, portanto, não representa – pelo menos na teoria, pois algumas escolas estão fazendo diferente, prejudicando os alunos – um adiantamento do primeiro ano como é conhecido.

Como diz Neide Noffs, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP, as crianças de hoje em dia podem até parecer mais desenvoltas, mas isso não significa que são mais maduras. “Se forem treinadas, vão aprender, claro, mas irão contra o seu desenvolvimento natural”, afirma. Elvira exemplifica esse problema. “A dificuldade costuma aparecer por volta dos 9 ou 10 anos, quando o cérebro já está mais ‘maduro’, e o aluno perde o gosto pela leitura ou reprova no 5º ou 6º ano”, diz a neurocientista. Ela também explica que algumas áreas cerebrais responsáveis por estabelecer relacionamentos estão envolvidas na aprendizagem da leitura e da escrita. Ou seja, se a criança se esforçar antes da hora, ela deixa de fortalecer outras habilidades.”

Repost de 15 janeiro de 2015. Fonte: Revista Crescer

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