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Ler e aprender brincando

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Aos 4 e 5 anos, os pequenos estão cercados por textos e têm muitas ideias sobre a língua escrita.Mensagens, palavras, frases, textos. Compreender e ser compreendido por meio da escrita. Essa é a magia do ler e escrever. Porém, saber a melhor época de se iniciar esse processo, tem sido um tabu ao longo dos anos.

Na escola pública, defende-se que essa prática é séria demais para a Educação Infantil, muito escolar para os pequenos que merecem exercer seu direito de brincar. Nas instituições particulares é o inverso que acontece. Em meio dessa dicotomia da proibição e a obrigação, existe uma criança que explora o mundo da escrita e pensa ativamente sobre ela. As Diretrizes Curriculares nacionais para Educação Infantil defendem a alfabetização nessa faixa etária e orientam articular os saberes e vivencias das crianças com os conhecimentos  culturais.

Atualmente, as crianças têm acesso à linguagem escrita  desde muito novas e, aos 4 e 5 anos estão em plena fase de investigação. Exploram teclados de computadores, veem bilhetes e recados presos na geladeira, reconhecem os produtos na prateleira dos supermercados e placas de sinalização. Diante dessa realidade, onde a escrita se encontra por toda parte, adiar a interação da criança nesse mundo não seria interessante.

A pesquisadora argentina  Ana Teberosky e a espanhola Isabel Solé alertam para o avanço que tivemos nessa área, nos últimos 30 anos: reconhecer que as hipóteses sobre a linguagem escrita de crianças entre 3 e 5 anos fazem parte do processo de alfabetização inicial. Contrário a toda essa verdade, deparamo-nos com uma visão de que a pré-escola é apenas uma etapa preparatória do Ensino Fundamental, reproduzindo mecanicamente desenhos de letras e atividades de coordenação visomotora. Dividir a linguagem em  etapas de pré-alfabetização, alfabetização e pós-alfabetização é negar que a aprendizagem é um processo contínuo.

A pré-escola deve favorecer o desenvolvimento das crianças com significado. Vale a pena ensinar a usar as letras em situações reais de leitura e escrita, promover momentos de reflexão sobre elas, conversar sobre suas denominações e promover a relação com palavras  conhecidas, como os nomes de amigos e parentes ou títulos de histórias. Pensando assim, o professor deve proporcionar um ambiente motivador, oferecendo situações para que a sala pense sobre como se escreve, para que se escreve. As reflexões devem levar em conta as relações entre os elementos da linguagem verbal, pois é nessas relações que eles encontram significados e não nas partes isoladas, como as letras.

É importante ainda que as crianças ouçam leituras de diferentes gêneros textuais, tenham contatos com diversos materiais escritos e tenham oportunidades de escrever segundo suas ideias. Alguns trabalhos didáticos impulsionam o processo de aprendizagem, como por exemplo , o trabalho com nome próprio – a primeira palavra com significado para a criança- que oferece um conjunto básico de  letras que cada um usará para compor outras palavras. Quando promovemos a escrita, a interpretação e a revisão da própria escrita, a criança começa a estabelecer relações com o que quis dizer e o que escreveu.  Dessa forma, as crianças vão avançar na compreensão do sistema alfabético, sem a obrigação de chegar a uma escrita convencional. Precisamos autorizar e acreditar na capacidade delas.

Texto escrito por: Sandra Kattah (Diretora pedagógica da Escola Vila Aprendiz)

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