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Mães e filhos: o vínculo eterno.

gabi e meninos

Cada filho leva consigo a sua mãe. É um vínculo eterno do qual nunca poderemos nos desligar. Para termos saúde e sermos felizes, cada uma de nós deve conhecer de que maneira nossa mãe influenciou nossa história e como continua influenciando.

Quando conseguimos compreender os efeitos que a criação teve sobre nós, começamos a compreender a nós mesmos e termos a certeza da importância do nosso papel como mães.

Conforme Christiane Northrup, na sua obra Mães e Filhas, “o vínculo mãe-filho está estrategicamente desenhado para ser uma das relações mais positivas, compreensivas e íntimas que teremos na vida.” No entanto, isso nem sempre acontece assim…

As influências, e até o amor de uma mãe, também podem ser problemáticos, tóxicos para o filho.  De forma inconsciente, por excesso de proteção, algumas mães se tornam mestres em educar as crianças sem estimular seu crescimento pessoal e sua segurança. Projetam sobre seus filhos todos os seus medos e frustrações, na intenção de não fazê-los sofrer, de protegê-los contra as dores da vida. Com isso, entregues ao mundo no futuro, eles poderão ter sua independência física e emocional prejudicadas, se tornando pessoas inseguras e incapazes de lidar com as adversidades.

A mãe representa pontos cruciais na formação do ser humano, da personalidade do filho. É a partir dos conceitos que passamos para eles que se desenvolverão as habilidades no trato social, familiar, psicológico e até mesmo ambiental. O amor e atenção dispensados, a qualidade do tempo juntos (e não a quantidade de tempo), a harmonia da casa, o bom relacionamento com o marido e a satisfação própria como mulher, são as peças que formam um bom ambiente familiar (ufa, quanta coisa!), e esse ambiente é fundamental para assegurar a construção do psiquismo dos filhos, possibilitando o desenvolvimento saudável dos comportamentos sociais, que se estenderão para as demais fases da vida.

Portanto, não podemos acreditar que “o tempo” mudará nossos filhos, nem esperar que com o crescimento os defeitos comportamentais que observamos na infância venham a desaparecer, precisamos agir enquanto ainda são pequenos… Mas como desempenhar bem nosso principal papel se hoje dividimos o tempo de sermos mãe com os afazeres do trabalho, de ser esposa, de administrar a casa e de ainda ter que conseguir tempo para cuidar da saúde, do corpo e da beleza?

O primeiro passo é tentar eliminar a culpa pela ausência, admitir que não somos perfeitas e que não precisamos ser “modelos” de mãe. Outro, talvez o mais importante, é conseguir dar amor e limites no pouco tempo em que estamos juntos com nossos filhos. Porque essa “equação” é capaz de criar pessoas autônomas, que saberão lidar com erros e serem empáticas.

Que medo é esse que nossa geração de pais tem de educar? O que há de arriscado em impor regras e sustentá-las? Nossos filhos não podem chorar, ficar com raiva, sofrer e se frustrar?

Porque eles precisam de uma bolsa nova (de marca famosa) a cada ano escolar quando a “velha” ainda está em perfeitas condições de uso? Por que a cada festa eles têm que estrear uma roupa nova? Por que compramos tantos presentes sem datas específicas (aniversário, dia das crianças)? Por que premiamos nossos filhos quando eles cumpriram apenas uma obrigação (como fazer boas avaliações ou não chorar para ficar na escola)? Precisamos refletir sobre o que estamos ensinando às pessoas que mais amamos na vida, sobre como estamos preparando elas para o futuro.

Será que nós, pais e mães que os criamos assim, estamos prontos para adolescentes que vão bater a porta e sair sem dar “tchau”? Será que estamos prontos para filhos adultos que não saberão ceder numa relação amorosa? Que não saberão como lidar com o trabalho em equipe? Que não irão tolerar as diferenças quando forem líderes? Essas poderão ser algumas das consequências… É deste amor “toxico” que falamos no início do texto; o amor que prejudica, mesmo que de forma inconsciente.

Desde a mais tenra idade os pequenos devem receber, de forma clara e objetiva, orientações sobre suas tarefas e limites. E isso precisa ser feito, mesmo que seus pais estejam com eles poucas horas por dia. Em seu livro “Filhos adultos mimados, pais negligenciados”, Tania Zagury afirma que “de tanto amor pelos filhos e de tanta culpa pela ausência, os pais da atualidade ficam cegos de paixão, e assim, sem perceber, se tornam incapazes de concretizar atitudes necessárias à formação de cidadãos éticos, produtivos, equilibrados, capazes de confiar em si mesmos”. Para Zagury, “os limites são fundamentais para a formação da personalidade. São eles que vão ajudar a criança a desenvolver a capacidade de suportar frustrações”.

Fui frustrada diversas vezes e não me lembro dos meus pais se importarem se eu estava gostando ou não; naquele momento o foco era educar, mostrar as fronteiras das atitudes e palavras; fronteiras que me ensinaram a respeitar as outras pessoas, que me ensinaram que não é proibido errar, e que ninguém fica traumatizado porque se frustrou. Lembrem-se de uma coisa importante: liberdade demais pode ser interpretada pela criança como falta de afeto.  As crianças querem ser aceitas e amadas pelos pais, isso nunca mudará, mas quem sabe o que é bom ou ruim para a vida não é uma criança de 5 anos de idade, e sim seus pais.

Há princípios, valores, moral familiar e social que eles não entendem ainda, mas serão gratos se nós ensinarmos, mesmo que para isso a gente “perca” um pouco do nosso precioso tempo juntos com conversas “chatas” ou momentos de reflexões sobre os erros cometidos por eles. Para compensar, ou melhor, para “completar” este momento de amor, da criação de equilíbrio e autoestima, façamos nossos malabarismos para tornar nossas horas juntas significativas: Acompanhar o desempenho deles na escola, fazer as refeições possíveis em família (à mesa), conversar à noite, desligar o celular quando chegar em casa (até que durmam), colocar para dormir, conversar, contar histórias (mesmo para os que sabem ler), sentar para jogar e reservar momentos especiais para o final de semana.

A qualidade destes momentos de atenção, mesmo que concentrados em um determinado período do dia, aliada aos finais de semana, aos limites, à criação da rotina, tudo isso de forma sistemática, fará com que a criança se sinta amada, importante, valorizada e parte da família. Fará com que entenda o que é a vida.

Só mais uma coisa: Não se sinta uma mãe frustrada (ou pais frustrados).  Não há receita quando o assunto é a educação dos filhos. Há estratégias que funcionam, outras que só conseguimos colocar em prática por um tempo, além das estratégias que não funcionam; apenas isso. São tentativas que devem vir aliadas à leitura, ao conhecimento de como cada filho funciona, às orientações da escola e de pessoas especializadas… Contudo, mais importante que qualquer estratégia ou conhecimento específico é o afeto, o colo, o carinho, a paciência para estar com eles “de verdade”, por inteiro, mesmo que seja um “pedacinho” do dia, ou seja, o amor verdadeiro, de quem nasceu para ser mãe e não apenas para parir uma criança.

Texto escrito por Gabriela Camarotti

Fontes de estudo: Psicologia do Desenvolvimento – Lannoy Dorin, Artigos acadêmigos sobre John Bowlby e a Teoria do Apego, Tânia Zagury – Filhos adultos mimados, pais negligenciados, Christiane Northrup- Mães e Filhas.

 

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