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Sono x Aprendizagem

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Com o corre-corre da atualidade, estamos dormindo cerca de 20% menos do que os nossos antepassados, porque trabalhamos e estudamos por mais horas e ainda temos várias programações sociais noturnas. Não só os adultos, mas também as crianças e os adolescentes estão cada vez mais com as horas do dia comprometidas com tarefas e compromissos, reduzindo as horas disponíveis para o sono.

Muitas vezes ouvimos falar que a criança cresce enquanto dorme. Isso é verdade se considerarmos que na infância, a maioria dos hormônios do crescimento são liberados durante o sono.  Crianças que dormem mal possuem mais chances de terem problemas no seu desenvolvimento físico. Uma boa noite de sono repara os desgastes dos músculos e renova o sistema imunológico para um melhor desempenho, além de favorecer um equilíbrio do humor.

O sono noturno ajuda a controlar o metabolismos energético, relacionado à alimentação. A neurologista Rosa Hasan, responsável pelo laboratório do sono do Hospital São Luiz (SP), explica que o sono de qualidade ruim, desorganiza o metabolismo e prejudica a síntese de alguns hormônios, favorecendo a doenças como obesidade e depressão.

Nas últimas décadas, os cientistas descobriram que o sono é mais do que uma simples regeneração do nosso sistema nervoso. Durante o sono, dá-se a ativação do processo de aprendizagem, essencial para a formação da memória de longo prazo. Durante o sono, o cérebro não desliga, continua ativo.  Quando entramos em sono profundo, ativamos o cerebelo e as regiões frontais do cérebro que renovam nossa coordenação motora e a capacidade de planejar e executar tarefas, além de processar e armazenar as experiências vividas (aprendizagem do dia).

Uma boa noite de sono favorece a atenção e concentração durante o dia, enquanto um sono ruim dificulta a concentração que gera diminuição de registro na memória, além de favorecer para uma agitação do pensamento, que Augusto Cury denomina de SPA- Síndrome de Pensamento Acelerado. É muito comum que essa síndrome seja confundida com TDAH- Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, devido à agitação e dificuldade de atenção.

Pesquisas recentes mostram a importância não só do sono noturno, mas também os “cochilos diurnos” para fortalecer a memória. Os neurocientistas levando em consideração o cronotipo de cada indivíduo (preferência por determinados horários para realização de tarefas) dividem os indivíduos em matutinos, os que preferem dormir e acordar cedo e vespertinos, que enfrentam enormes dificuldades em dormir e acordar cedo. Isso acontece devido ao ritmo biológico de cada indivíduo.  Essa diferença se acentua na fase da adolescência, onde ocorre um atraso em relação ao relógio biológico, dificultando o acordar cedo e dormir cedo. Por esse fato biológico, alguns neurocientistas defendem a mudança no horário de início das aulas para os adolescentes, começando pelo menos duas horas mais tarde, porém os críticos ainda defendem que acordar cedo é uma questão de hábito, ignorando em pleno século XXI, os fatores do desenvolvimento biológico. Um bom cochilo diurno ajuda no bem estar da criança, no crescimento, no autocontrole emocional, no humor, na memória e no desenvolvimento em geral.

Assim como aprendemos a respeitar as diferenças individuais ligados ao desenvolvimento cognitivo e emocional, precisamos aprender a respeitar as diferenças ligadas aos desenvolvimentos biológicos de cada indivíduo, mas como toda nova experiência, temos que ter paciência para que ocorra assimilação e acomodação das novas descobertas biológicas.

Diante do conhecimento da importância do sono, surge a dúvida da quantidade ideal de horas para um bom sono noturno. Todos já ouviram dizer que é necessário dormir 8h por dia para se sentir bem. A quantidade ideal de horas para um bom sono noturno varia com a necessidade de cada indivíduo. Alguns indivíduos necessitam de apenas com 6 horas de sono para se sentirem bem, enquanto outros de até 10h.  Neurocientistas estabelecem uma média para adulto de 7 à 8 horas de sono diário, enquanto as crianças de 2 à 5 anos, precisam de 11 à 13 horas de sono ( noturnos e diurnos), Crianças de 6 à 10 anos, de 9 à 11 horas de sonos noturnos e os adolescentes precisam de uma média de 10h noturnas.

Conhecendo a importância do sono para o nosso cérebro e para nosso desenvolvimento geral, devemos tentar viver em harmonia com o nosso sistema neurofisiológico. Como vimos, a falta de boas noites de sono causam muitas consequências importantes: diminui a memória e atenção, aumentam risco de problemas cardíacos, aumenta o risco de obesidade, diminui a imunidade, ocasionam aparência cansada, altera o humor, favorece dores musculares, entre outras. Mesmo consciente dessas consequências, a privação de sono é uma realidade crescente na nossa sociedade. A correria do dia a dia, as extensas jornadas de trabalho e estudo e o crescente uso de aparelhos eletrônicos são fatores impactantes na qualidade do sono. Tudo isso nos convida a parar e refletir sobre os nossos hábitos de vida. Devemos tirar o pé do acelerador, diminuindo o ritmo de compromissos, disponibilizando mais tempo para o sono. Para que assim tenhamos ótimas noites de sono e dias bem mais tranquilos e produtivos.

Texto escrito por Betânia Carneiro Leão ( Fonoaudióloga e Supervisora Pedagógica da Escola Vila Aprendiz)

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