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Como lidar com o tema “perdas” e a morte com as crianças?

luto

Morreu o cachorrinho… E agora? Como dar a notícia? Dizer que virou “estrela”?

Acolher as inquietações de cada um e responder às dúvidas com explicações verdadeiras é um caminho para auxiliar a superar uma perda, seja ela qual for.

TERMINA A VIDA. O QUE VEM DEPOIS? Quem enfrenta a tristeza de uma morte vivencia o luto até a perda ser aceita. Para auxiliar a enfrentar essa fase, que é importante ser “falada” e vivida, é preciso falar com sinceridade. Respostas fantasiosas tendem a prolongar o sofrimento.

“É uma coisa curiosa, a morte (…). Todos nós sabemos que o nosso tempo neste mundo é limitado e que eventualmente todos nós acabaremos embaixo de algum lençol para nunca mais despertar. E, no entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece com alguém que conhecemos.” Reflita por alguns instantes sobre como você se sentiu ao ler essa citação do autor infanto-juvenil Lemony Snicket, no livro Raiz-Forte. Quais sentimentos prevaleceram: medo? Resignação? Indignação? Identificação? A resposta depende da maneira como cada um lidou (e lida) com as inevitáveis perdas que a vida nos traz – a de um amigo que se mudou para longe, o desaparecimento de um animal de estimação ou a morte de um parente querido. Sempre que um desses eventos ocorre, passamos pela chamada elaboração do luto – um processo psicológico que atinge o indivíduo, sua família e os grupos da sociedade dos quais ele participa, um período doloroso (e necessário) de intensa tristeza, que dura até que a pessoa aceite a perda e possa seguir em frente com a vida.

Embora as crianças (sobretudo as mais novas) ainda não compreendam inteiramente a ideia de morte, o assunto deve ser discutido na escola e em casa para que elas tenham a oportunidade de trocar opiniões com os colegas e também encontrar apoio para encarar o sofrimento. A origem da crise, em geral, se dá com a morte de um familiar ou de uma pessoa próxima, mas também pode ocorrer em casos como a separação dos pais, a morte de uma personalidade famosa e até de uma mudança brusca, como a troca de cidade ou de escola. Todas essas situações geram dificuldades para as crianças. Como o comportamento das pessoas ao redor interfere no enfrentamento das perdas, uma intervenção adequada no momento certo é de grande importância, podendo ajudar no encaminhamento do luto e no restabelecimento das condições emocionais dos pequenos.

Para os estudiosos do tema, o principal requisito para uma atuação eficaz é se apoiar na verdade. Afinal, uma informação distorcida pode interferir na conscientização da perda e na sua aceitação. “A morte faz parte do processo da vida. Contar uma mentira, dizer que a pessoa foi viajar, que virou estrela ou qualquer outra resposta evasiva só irá prolongar o sofrimento. Quando se deparar com a verdade, a criança se sentirá enganada e a relação de confiança será quebrada”, explica Valéria Tinoco, supervisora do Instituto de Psicologia 4 Estações, em São Paulo.

VAI-SE O LUTO, FICAM AS LEMBRANÇAS. Passado o período de intensa tristeza, a criança não esquece o que ocorreu. A perda continua sendo uma lembrança muitas vezes dolorosa, mas já não a impede de tocar a vida em frente. Isso, entretanto, não significa que a discussão seja simples. E não é simples porque são raros os pais que educam os filhos para enfrentar perdas, como são raras as escolas que incentivam discussões sobre o tema. Acredita-se que o tempo se encarregará de ensinar. Não pode ser assim. É preciso falar que nossa existência é finita. Desde os 2 anos, a criança é capaz de entender a perda: um animal de estimação que foge, a ausência dos pais e a morte em desenhos animados. Porém, até os 3/4 anos ela tem a ideia de que isso é reversível.

Aos 4 anos, o medo e a culpa começam a andar juntos. Nesta fase ele começa a ter medo que seus desejos de ira contra seus entes queridos se torne realidade. É importante deixar claro em uma conversa entre pais e filhos que, por mais que ele esteja zangado por algum motivo, isso vai passar e o amor entre eles não será abalado.

Ao passar do tempo os medos começam a possuir mais relação com a realidade. Os medos mais comuns entre 6 e 7 anos são o fracasso escolar, de perder pessoas queridas, de errar.

 O que eles mais temem?

Aos 6 anos 

  • Pessoas deformadas (temem que o problema aconteça com elas);
  • Chegar atrasado à escola;
  • Ser esquecido na escola;
  • Fracasso escolar;
  • Medo do erro;
  • De perder as pessoas queridas;
  • Da rejeição social

Aos 7 anos

  • Escuro;
  • Seres sobrenaturais;
  • De passar por ridículo;
  • Fracasso escolar;
  • Medo de errar

Como lidar com o medo:

  • Dar atenção, questionar e estimular a criança a enfrentar o medo. Ela encontrará sozinha uma solução para as suas fantasias.
  • Não fale demasiado sobre o assunto para evitar que a criança fique mais ansiosa.
  • Mude de assunto e distraia. Mas nunca deixe de responder aos questionamentos.
  • Fale sempre a verdade sobre os medos reais para que a criança tenha a noção de perigo. Ela tem de saber, por exemplo, que as escadas e as piscinas representam alguns riscos, mas não é preciso exagerar.
  • Brinque com o seu filho e entre na fantasia dele. As experiências lúdicas ajudam a lidar com as suas ansiedades, o bicho mau é um exemplo.
  • Bonecos e brinquedos treinam a criança para a vida. As crianças gostam de representar em brincadeira o sentimento de medo frente a uma situação real, como a ida a um hospital.
  • Faça a apresentação formal das pessoas para que a criança saiba que aquele estranho tem autorização dos pais para se aproximar.
  • Ofereça objetos para que a criança se sinta mais segura, principalmente na hora de dormir. São os objetos aos quais chamamos transacionais e que reduzem a ansiedade da criança até adormecer.
  • Avalie a intensidade do medo e fique atenta para o limite da normalidade, que faz parte da rotina saudável da vida.

Texto adaptado por Gabriela Camarotti. Fontes: Blog Oficina de Psicologia, Revista Fábulas).

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