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Neuropsicopedagogia, você sabe o que é isso?

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Em entrevista a Revista VEJA do mês de Abril, o neurocientista português António Damásio, 69 anos, e um dos maiores nomes da neurociência na atualidade, fala sobre como as emoções e sentimentos são essenciais ao influenciar a tomada de decisões e moldar a razão humana, e fazer o indivíduo aprender. O neurocientista afirma ainda que a felicidade está ligada a certas moléculas químicas e a tristeza a outras. Quando estamos felizes as imagens e informações se sucedem com mais rapidez, se associam mais facilmente. Na tristeza, na angústia, na pressão de alguma situação, as imagens passam muito mais devagar e ficam como que impressas ali por um tempo, na memória sensorial ou de curto prazo. O ponto ideal para desenvolver o raciocínio é a afetividade, a felicidade sem euforia, porque na euforia o pensamento se embaralha. E o que isso tem a ver com Neuropsicopedagogia?

Aliada a neurociência, a pedagogia e a psicologia trazem o amplo conhecimento das bases neurológicas do aprendizado e do comportamento, facilitando assim seu estímulo nos diversos contextos e, consequentemente, o sucesso no processo educacional.

Sua primeira descrição no campo científico se deu através de Jennifer Delgado Suárez, no artigo intitulado “Desmistificacion de la neuropsicopedagogía” no qual apresentou uma composição histórica da trajetória neuropsicopedagógica e ressaltou sua importância para o contexto educativo. A Neuropsicopedagogia é um novo campo de conhecimento, que une diversas áreas da pedagogia, psicologia e da medicina, contribuindo diretamente para os processos de ensino-aprendizagem. Através dos conhecimentos neuropsicopedagógicos existe a possiblidade de entender como se processa o desenvolvimento de aprendizagem de cada indivíduo, proporcionando-lhe melhoras nas perspectivas educacionais e dessa forma desmistificar a ideia de que a aprendizagem não ocorre para alguns. Na verdade sempre acontecerá a aprendizagem, entretanto para uns ela vem acompanhada de muita estimulação, atividades diferenciadas, respeitando um ritmo e um processamento da informação que não é igual para ninguém.

Dentro desta linha de pensamento as contribuições de Tokuhama-Espinosa (2008, apud Zaro, 2010, p. 204), podem ser consideradas de significativa importância e utilizadas como elementos importantes nas intervenções pedagógicas: a) Estudantes aprendem melhor se motivados, e o cérebro precisa de desafios novos a cada 15/20 minutos; b) ansiedade bloqueia oportunidades de aprendizado; c) o tom de voz de outras pessoas é rapidamente julgado no cérebro como ameaçador; d) as emoções têm papel-chave no aprendizado; e) nutrição impacta o aprendizado; f) sono impacta consolidação de memória.

Segundo as considerações acima é possível afirmar que o ato de aprender é complexo, e não envolve somente a memorização dos conteúdos. Assim, o grande desafio das instituições educacionais é conseguir atender às diversidades de aprendizagem, perceber e identificar como cada aluno aprende.

Apenas entendendo as bases do aprendizado, como o cérebro forma novas conexões, forma as memórias, a importância da motivação para a formação de talentos, para o desenvolvimento de habilidades, será possível lidar com as novas gerações de alunos. E esse deve ser o grande diferencial do educador, perceber que não é um ser somente de informação. Ele precisa saber qual o melhor método para que os alunos possam “consolidar” o conhecimento. Ter a clareza de que os conteúdos são comuns a todos, mas a metodologia de trabalho deve estar pautada em práticas que contemplem o indivíduo como seres únicos e capazes, transformando-as em cidadãos equilibrados emocionalmente, que saibam ser críticos e respeitar o outro, as regras da sociedade. Se as escolas não pensarem assim, em um desenvolvimento completo, estarão simplesmente reproduzindo o que o aluno poderá encontrar em qualquer mídia disponível na atualidade.

 

Escrito por Gabriela Camarotti

Fontes: HERCULANO-HOUZEL, Suzana. Neurociências na Educação.

www.neuropsicopedagogianasaladeaula.com.br/ Revista Veja – edição Abril 2015/ www.cienciasecognicao.org

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