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Timidez ou autoestima baixa ?

timidez

 timidez é um sentimento saudável, mas desde que seja em dosagem certa. Quando ela causa incapacidade de interação com outras pessoas ou exposição em situações sociais, em níveis exagerados, afetando a qualidade das relações, passa a ser considerada uma fobia social. O comportamento tímido acontece porque a criança não confia ser capaz de corresponder à expectativa do outro e constrói uma imagem negativa de si mesma, se vendo inferior às demais pessoas, não acreditando na sua capacidade e, com isso, se envergonha. Por isso os pais devem ficar atentos ao desenvolvimento e ao comportamento dos filhos, para evitar que o problema não se desenvolva a ponto de prejudicá-los. “A timidez pode levar a um comportamento de isolamento, mas outros comprometimentos também podem levar a criança a apresentar um comportamento anti-social”, afirma  psicóloga Eliana de Barros, diretora do Colégio Global.

Como Ajudar?

Os pais são as principais figuras de referência das crianças, devem ser modelos de comunicação e socialização, além de proporcionar oportunidades para o filho interagir com outras crianças, estimulando atividades coletivas, mas sem forçar. Comportamentos  como empurrar a criança para enfrentar a situação ou comentar sua conduta na tentativa de esclarecer que seu medo não tem fundamento, são inúteis e podem até agravar a situação.

Contudo, a timidez demasiada pode ser prejudicial, pois o desenvolvimento das relações sociais e a criação de vínculos são essenciais para o crescimento saudável das crianças e adolescentes. Quando além das relações de amizade, o desenvolvimento escolar, o convívio com a frustração, com a relação de perda e ganho, também ficam comprometidos, é importante a observação de um especialista, pois a autoestima do pequeno pode estar sendo afetada.

“Crianças podem manifestar sintomas de depressão e ansiedade que conduzirão a criança a um isolamento progressivamente maior”, relata Quezia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Precisar ficar atentos.

A autoestima é construída a partir de uma serie de fatores: genética, características pessoais, vivências, associações de valores e exemplos da casa ou da escola são os principais deles.

Na infância, contudo, todas as experiências são transformadas em marcas, sejam positivas ou negativas, e as vivências influenciam muito no futuro do indivíduo. “A família pode, mesmo sem querer, ensinar posturas derrotistas”, exemplifica a psicóloga Quezia Bombonatto. Mas não é só. Palavras duras, mal colocadas, e aprendizados traumáticos podem deixar sequelas ou serem intensificados pelas características depressivas já existentes.

O ambiente familiar é o fator que mais influencia na autoestima das crianças. Constantemente nossa autoestima se vê afetada pelas experiências e exigências que recebemos do mundo exterior. A sociedade exige que nos moldemos e que sigamos padrões de comportamentos, escolhas, iguais aos da maioria.

Se não cumprimos os requisitos exigidos tanto no ambiente familiar como na sociedade de um modo geral, a nossa autoestima, ainda que positiva, pode ser abalada.

Uma baixa autoestima pode desenvolver nas crianças, sentimentos como a angústia, a dor, falta de ar, o desânimo, a preguiça, a vergonha, e outros sentimentos ruins.

Dentro de cada um de nós existem sentimentos ocultos que muitas vezes não percebemos. Os maus sentimentos, como a dor, a tristeza, o rancor, e outros, se não remediados, acabam convertendo-se e ganhando formas distintas. Esses sentimentos podem levar uma pessoa não somente a sofrer depressões contínuas, como também a ter complexo de culpa, mudanças repentinas de humor, crise de ansiedade, de pânico, reações inexplicáveis, indecisões, inveja excessiva, medos, hipersensibilidade, pessimismo, e outros males.

A baixa autoestima pode levar uma criança a sentir-se desvalorizada, e, em razão disso, a estar sempre se comparando com os demais, supervalorizando as virtudes e as capacidades das demais pessoas. Sente que jamais chegará a ser como elas.

Essa postura pode levá-la a não ter objetivos, a não ver sentido em nada, e a convencer-se de que é incapaz de conseguir qualquer coisa que se proponha. O que acontece é que não consegue compreender que somos diferentes e únicos, e que ninguém é perfeito, que todos erramos e começamos de novo. Por isso é tão importante mostrar às crianças que o erro é a oportunidade para o recomeço, e que desse recomeço ela poderá obter um resultado ainda melhor. Isso serve desde a educação infantil, na execução das atividades escolares.

É dentro do ambiente familiar, principal fator que influencia na autoestima, que as crianças vão crescendo e formando sua personalidade. O que sua família pensa dela, é de fundamental importância. Em razão disso, é recomendável que os pais não se esqueçam das conquistas dos seus filhos. Se o bebê começa a andar, mas os maiores vêem a situação como uma obrigação, e não como uma conquista do bebê, a criatura não se sentirá suficientemente estimulada a seguir se esforçando para conseguir outras conquistas, para superar-se.

O importante em todo o processo de crescimento dos nossos filhos é que demos a eles a possibilidade de ser, de sentir-se bem com eles mesmos. Que nosso esforço esteja vinculado ao afeto, ao carinho, à observação, a valorizar suas qualidades, e apoiá-los quando algo vai mal. E para isso é necessário conhecê-los a cada dia, favorecendo os encontros, as conversas, e o contato físico.

A autoestima construída na infância acompanha o indivíduo durante toda a sua vida. É exatamente por isso que saber identificar desde cedo quando ela está baixa é essencial para que maiores problemas sejam evitados na vida adulta e para que ele se consolide como uma pessoa centrada e equilibrada.

A esta altura você poderá dizer: “Mas isso não me diz respeito, porque amo meu filho e acho que ele tem valor.” O ponto principal não é “Se você ama seu filho”, e sim “Se ele se sente amado.”

E há uma grande diferença entre ser amado e sentir-se amado.
Por mais estranho que pareça, muitos pais têm certeza de que amam os filhos, mas, de algum modo, as crianças não percebem tal afeição. Esses pais não foram capazes de comunicar o seu amor.

Fonte:

Texto escrito por Gabriela Camarotti

Fontes: Miguel Lucas, Psicólogo preparador mental de atletas e equipes desportivas;

Site Escola da Psicologia (www.escolapsicologia.com); Dorothy C Briggs, autora do livro “A autoestima do seu filho”.

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