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Homosexualidade e pornografia na infância.

meu-filho--homossexual_ANa infância, a criança ainda não tem desenvolvido o desejo afetivo-sexual. Isso vai acontecer na adolescência. Portanto, não se pode julgar as palavras ou comportamento das crianças como se elas tivessem nisso as mesmas intenções e referências do adulto. Uma garota de 8 anos tem como referência de namoro/marido alguém que se gosta muito e com quem deseja estar, brincar, conversar… Nessa idade, os garotos são “uns chatos” para elas e elas “umas chatas” para eles. Não se entendem, e seriam as pessoas menos desejadas para se brincar. Enquanto que a amiga, que pensa e gosta das mesmas coisas que ela seria a companhia ideal. Portanto, não achem que existe uma tendência homossexual se sua filha disser que quer casar com uma amiga. Quando elas falarem algo assim, devemos ouvir, mas não julgar… Só o tempo vai dizer se a criança será ou não homossexual. Que não é em hipótese alguma uma condição errada, mas apenas diferente! E não há o que se possa fazer para que as pessoas tenham a orientação afetivo-sexual de acordo com o que desejamos. Quanto mais se repreender, maior será o sofrimento das pessoas, e isso não mudará seu desejo afetivo-sexual.

O tema “homossexualidade” foi muito falado nas redes sociais depois do beijo entre dois homens na novela Amor à vida. Um dos maiores medos dos pais é o de que a criança ache que é muito “normal” ser homossexual e se influencie.

Este tipo de situação pode ser transformada em oportunidade para conversar com as crianças sobre o respeito à diversidade sexual. É importante lembrar que filmes, novelas e noticiários podem ser ótimos “ganchos” para tratar de temas importantes.

Uma boa forma de conduzir a discussão em casa ou em classe (quando surgir o assunto ou uma dúvida direcionada) é usar a metodologia da problematização. Convide a criança para um bate papo e observar as perguntas que surgirem. Ouvindo a criança teremos condições de identificar preconceitos e sinais de desinformação para então organizar intervenção, levando em conta sua idade e os tipos de inquietações.

A homossexualidade é um fato presente na sociedade. Ela deve ser respeitada. Para isso, não é necessário ser militante e muito menos fingir ser o que não é. Respeitar, nesse caso, não significa aprovar, admirar ou venerar. O respeito que devemos desenvolver nas crianças é o princípio de não discriminar ou ofender outra pessoa por causa de sua forma de viver ou de sua condição de amar. É essa atitude que combate a homofobia.

Ninguém se torna homossexual porque vê duas pessoas do mesmo sexo se beijando. E muito menos porque teve a oportunidade de refletir e desenvolver um pensamento crítico e compreensivo sobre o relacionamento entre estas pessoas.

Existem muitas pesquisas e teses sobre homossexualidade. Para o antropólogo Luiz Mott “Se comprovarem que há uma raiz genética, estará claro que a homossexualidade não é uma escolha”, afirma.

Outro argumento pró-pesquisas diz que saber a origem do próprio comportamento aplaca um pouco a ansiedade. “Vemos a preocupação do homossexual em não ser discriminado, mas também a dos pais, que se sentem responsáveis e querem entender até que ponto esse sentimento procede”, diz Carmita Abdo, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo e coordenadora do projeto Sexualidade, maior pesquisa já feita sobre os hábitos sexuais dos brasileiros.

Há uma pesquisa de 1993, com Dean Hamer, do Instituto Nacional do Câncer, nos EUA. Hamer percebeu que dentro das famílias havia muito mais gays do lado materno. A descoberta atraiu sua atenção para o cromossomo X (mulheres têm dois cromossomos X, enquanto os homens têm um X e um Y). Em seguida, a descoberta: usando um escâner, Hamer viu que uma região do cromossomo X, era idêntica em muitos irmãos gays. O que ele descobriu não foi propriamente um único gene gay, mas uma tira de DNA transmitida por inteiro. A notícia provocou rebuliço, mas ainda não foi totalmente aceita por outros estudos. A conexão entre genes e orientação sexual sugere que as pessoas não escolhem ser homossexuais, mas nascem assim. Enfim, a sociedade começou a ver na ciência a resposta contra a ideia de que comportamento homossexual era escolha, era doença, era “antinatural”.

Pornografia

A pornografia não é uma questão nova. O que mudou recentemente foi a facilidade de acesso a esse material, principalmente a partir da internet: crianças e jovens ficam a um clique de imagens e vídeos. Na União Europeia (UE), por exemplo, um concluiu que 25% dos jovens com idade entre 9 e 16 anos já tinham visto imagens de cunho sexual.

O problema é que em vez de ensinar, a pornografia pode causar insegurança, ansiedade e ainda distorcer as ideias dos jovens sobre as relações e as práticas sexuais

Numa única navegada um jovem pode descobrir coisas e entrar em contato com cenas sexuais que nem poderiam imaginar que existiam ou que seriam possíveis de existir, ou, pior, de se admitir. Esse é o perigo da pornografia: um sexo virtual que pode está bem longe da realidade.

Daí a importância da Educação Sexual na escola, além da orientação dos pais. Diminuir a curiosidade sexual de crianças e adolescentes, e esvaziar a busca por sites de pornografia são atitudes importantes, que certamente irão melhorar a qualidade de vida sexual de nossos jovens.

Precisamos trabalhar temas que deem respostas às dúvidas sexuais e alertar as crianças para os riscos dos sites “diferentes”, que eles não conheçam (pornográficos). Outra atitude importante é dizer às crianças que não podem entrar em Sites desconhecidos e orientá-las a fazer pesquisas escolares em Sites específicos, e não simplesmente colocar uma palavra no Google.

Caso o adulto descubra que a criança já viu conteúdos pornográficos não deve repreendê-la e sim tentar entender qual era a sua curiosidade, saber o que foi que ela viu e explicar que na pornografia, nem tudo é real e que há muitos truques para chamar a atenção dos consumidores. Os empresários do sexo pornô apelam para situações e ações extremamente raras ou fictícias, usando, inclusive, recursos fotográficos como a montagem.

Desejo e realidade

Precisamos separar a nossa expectativa em relação à vida dos nossos filhos da realidade com que eles têm de lidar e vivenciar.

Na época em que estamos vivendo, não podemos ser firmes na deia – ou a esperança – de que nossos nem sequer pensem em sexo. Uma pesquisa recente mostrou que a primeira relação sexual dos brasileiros está ocorrendo por volta dos 13 anos, mesma idade registrada nos Estados Unidos e Austrália.

Hoje um casal de adolescentes pode passar um longo tempo juntos, em sua própria casa, na casa de amigos, em uma balada, em um shopping ou mesmo no cinema.

O que os jovens fazem ou não com o seu interesse sexual – que, como vimos na pesquisa, existe! – depende da Educação Sexual que tiveram, isto é, dos valores, da capacidade de tomar decisões e lidar com os desejos, da aprendizagem sobre prevenção, da sua autoestima… Por isso é tão importante conversar, amar, orientar e observar as questões emocionais desde a infância.

Ouvimos muito que as crianças e jovens “não estão preparados” para lidar com esse tema. Concordamos, afinal, quem já nasce preparado para alguma coisa nessa vida? Nosso papel, como pais e educadores é justamente prepará-los para lidar com mais estas questões (da sexualidade), de acordo com o seu interesse e com sua capacidade de compreensão dos fatos. Eles anseiam saber! Precisamos respeitar a fase de cada um, e não impedir o conhecimento. Perceber que nossos pequenos estão crescendo, que não devemos estimulá-los com roupas e músicas, que devemos ter cuidado e observar as brincadeiras…

Muitas vezes, o sexo é reduzido ao prazer do corpo e às manifestações genitais. No entanto, a sexualidade é um instrumento que propicia experiências indispensáveis ao crescimento pessoal, à autonomia e ao desenvolvimento da individualidade e, até mesmo da cidadania, uma vez que envolve o modo como cada um entende e interpreta seus direitos e deveres para consigo e com os outros, em relação à condição de gênero, a função reprodutiva e a capacidade de se relacionar afetivo e sexualmente.

Quando se nega o trabalho de Educação Sexual ou se adere ao discurso de que esse tema é “inadequado” às crianças, é preciso refletir: O papel da família e da escola é de ser um elemento transformador.

Para caminharem sozinhos, os jovens precisam abastecer a bagagem da vida com conhecimentos. Sejam eles adquiridos nas experiências familiares, seja na vivência pessoal, mas também por meio de ensinamentos formais da escola e da emoção de um livro.

Texto escrito por Gabriela Camarotti

Fontes:

Revista Nova Escola – Edição de Novembro/14

Blog Gente que Educa

Blog Direto ao Ponto

Revista Nova Escola – Edição de fevereiro/14

Carmita Abdo – Escritora e Psiquiatra

Um comentário em “Homosexualidade e pornografia na infância.

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