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Movimento “Slow parenting”

Segundo uma pesquisa realizada no Brasil pela Internacional Stress Management Association, engana-se quem acredita que o estresse está restrito ao mundo adulto. Nos resultados, constaram que 8 a cada 10 crianças sofrem  com problemas de alterações de comportamento originados do estresse, e contam com ajuda de profissionais.

A infância se transformou em uma corrida rumo à perfeição, e as crianças possuem agendas cheias de atividades. Os pais começam a planejar o futuro de seus filhos na ânsia de tentar controlar todos os passos, para que eles se saiam bem na vida. Com toda essa rotina acelerada, existe uma coisa que fica comprometida: o tempo. Segundo o jornalista britânico Carl Honoré, autor de “Sob Pressão”, muitas crianças têm todos os momentos da vida agendados e monitorados.

Honoré, o primeiro a usar o termo slow parenting, também afirma que as crianças ficam com mais dificuldades de serem independentes e menos criativas. Os defensores desse movimento garantem que encher a criança de atividades visando prepará-las para o futuro e cobrar perfeição, pode causar o efeito contrário. Entendemos o fato do que todos os pais querem que seus filhos sejam felizes e atinjam seu potencial, mas é fundamental que o filho seja ouvido e observado, pois ele não é um produto que pode ser moldado, é alguém que se desenvolverá bem desde que tenha espaço para ser protagonista da sua própria história. “As crianças devem aprender gradualmente a lidar com o risco, o medo e o fracasso. Nada disso é possível quando têm a vida completamente planejada, pois não lhes sobra tempo para descobrir quem realmente são e pensar de forma autônoma. Elas apenas executam o que foi imposto e vivem tentando atender às expectativas dos pais.”, alerta o escritor Honoré.

As pessoas passaram a encarar a vida, em especial a ideia de educar uma criança, como um empreendimento do futuro.  A criança precisa ter tempo para ser criança e oportunidade de se encantar com as coisas. Pais e escolas têm associado agendas lotadas como sinônimo de qualidade de vida, mas colocar as crianças nesse ritmo é como aniquilar sonhos e a capacidade de criar e recriar uma nova visão de mundo, e também causar um grande efeito que é a ansiedade.

Um grande número de atividades extras não garante que a criança vá aprender mais e não significa que toda ela deva ser evitada, mas é preciso respeitar o tempo de cada criança. ”O ócio estimula a criatividade e a curiosidade por temas e experiências diversas”, afirma a educadora e antropóloga Adriana Friedmann. Colocar o pé no freio é um grande desafio, pois diariamente somos cobrados a fazer o contrário. A produtividade acelerada que é exigida no ambiente de trabalho, sem perceber, começou a ser levada para dentro de casa e “profissionalizando” a maternidade e paternidade. A corrida contra o tempo é grande e a pressão cultural também, somos todos vítimas de uma sociedade obcecada pela perfeição.

 

 

Referências Bibliográficas:

 Basilio, Andressa.  Dê tempo ao tempo do seu bebê. Revista Crescer  (13.02.2014)

Vines, Juliana. Movimento prega a desaceleração da rotina das crianças. Folha de São Paulo (12.11.2013)

Azevedo, Solange. Slow parenting: O movimento que defende a desaceleração da rotina dos filhos. CLAUDIA (25.03.2014)

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