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Criança e tecnologia

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A cada dia percebemos a mudança comportamental entre crianças das mais variadas faixas etárias, que se encontram expostas e inseridas nas mídias tecnológicas com maior frequência do que deveriam. É muito fácil deixar uma criança brincar com um celular ou um tablet, ou até mesmo ficar  horas a fio na frente da TV com o DVD da Galinha Pintadinha, Bebê Mais, etc. Além de dar tempo para os afazeres dos pais, estes acreditam que é um meio de estimular adequadamente a cognição de suas crianças e que é o “máximo” uma criança tão pequena com tanta habilidade digital. É como diz um palestrante durante o Congresso de Educação em Recife,(agosto, 2014) “- Elas são capazes de fazer com um só dedo, o que não somos capazes de fazer com os dez”. Mas, …

“Vale lembrar que, em psicologia, inteligência é medida pelo conjunto de competências de cada ser humano. A entrada de gadgets e o acesso a internet permitem que as crianças desenvolvam competências diferentes das que seus pais tinham, como achar rapidamente informações. Por serem qualidades admiradas no mundo de hoje, eles se impressionam e têm a ideia de que os filhos estão ficando mais inteligentes”. (Revista Crescer, 2013, No. 240, p81).

No entanto, o que os pais desconhecem, é que esta etapa inicial da vida que Piaget chama sensório motora, é uma etapa em que a criança precisa do sensorial e do concreto para se desenvolver além da cognição, precisa ver e ser vista, levar os objetos à boca, tocar, sentir texturas entre tantas outras coisas. A brincadeira combinada ao movimento é essencial para o desenvolvimento da aprendizagem infantil e para a formação da noção de corpo e de espaço, promovendo também a socialização e afetividade, e isso vale para todas as etapas do desenvolvimento infantil.

Observamos que horas e horas em frente as mídias tecnológicas causa uma passividade ansiosa, pois as crianças viram meros receptores de uma gama de estímulos luminosos e auditivos, mas que no momento, não podem fazer nada com eles. A posteriori  observa-se  uma agitação, que os leva a perder o foco da atenção em qualquer outro tipo de atividade, que se torna desinteressante devido a falta de luminosidade e velocidade com a qual eles estão acostumados.

Vem sendo comum as crianças perderem o interesse em virem para a Escola, ou até mesmo de brincarem com os amigos, pois não querem perder o tempo do contato com as tecnologias, que acabam por gerar uma espécie de vício e isolamento social. Os pais devem estar atentos ao tempo de exposição, que deve ser reduzido para obtermos sucesso na conquista do interesse e na diminuição da agitação motora.

Ainda na Revista Crescer (2013, No. 240) há uma dado importante e significativo da “Sociedade Brasileira de Pediatria, que seguindo as orientações da comunidade internacional, é recomendo que uma criança não seja exposta aos gadgets e à TV até completar 2 anos”. O que é quase incompatível com o que vemos atualmente, crianças desde muito pequenas além de expostas, sofrem o efeito hipnótico frente a tudo isso. O tempo recomendado de 2 horas ao dia chega a muito mais do que isto e, particularmente, considero que 2 horas é um tempo excessivo, e recomendo sempre a metade disto. É claro que é extremamente difícil manter uma criança da sociedade contemporânea longe da tecnologia, mas a falta de controle sobre o tempo e o tipo de jogos e informações a que são expostas não é nada benéfico para o desenvolvimento global, nem mesmo para adolescentes.

Convenhamos que é bem cômodo e silencioso deixar uma criança frente às babas tecnológicas, mas os prejuízo causados devem ser ponto de reflexão aos pais e educadores. Nada substitui uma boa brincadeira, principalmente se os pais e os colegas participam delas!

 

Texto de: Rita Simone R. C. Amado

           CRP 02/12006

Psicóloga Clínica e Escolar, Psicopedagoga, Especialista em Desenvolvimento da Aprendizagem Infantil e Ed. Infantil.

 

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