O uso da letra cursiva na escola

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A tão tradicional letra cursiva está fadada ao desaparecimento. Surpresos? Pois é, parece que a revolução na escrita já começou. Em publicação do Estadão a manchete foi: – EUA passam a abolir ensino de letra de mão nas escolas. Entenda-se letra de mão como letra cursiva. A reportagem continua assim: “O ensino da letra cursiva (de mão) será opcional no estado norte-americano de Indiana e deverá ser banido definitivamente nos próximos anos. A decisão deve ser seguida por mais de 40 estados do país que também consideram esta forma de escrever como ultrapassada. Na avaliação deles, é mais importante se concentrar no aprendizado das letras bastão (de forma).

Não podemos esquecer que um número considerável de escolas americanas se utilizam de novas tecnologias. Já o Brasil, um país de proporções gigantescas, tem áreas que nem papel e lápis tem para as crianças, e cá para nós, nem escolas têm, quanto mais uso de computadores. Então entendemos que por aqui as mudanças serão muito lentas para alguns e para outros nem tanto, teremos ainda um longo tempo para polêmicas e discussões. O fato é que até hoje crianças são obrigadas a fazer cadernos de caligrafias, mesmo quando a escola não os obriga a isto, os pais acham que é seu papel fazê-lo.

E para apimentar o debate no Brasil a respeito do assunto, importante é ouvir também a opinião de Sílvia Colello, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alfabetização da Faculdade de educação da USP (Feusp). Para Sílvia a letra cursiva não vai cair em desuso pois existem práticas atuais, como deixar um bilhete ou fazer lista de compras do supermercado, que continuarão a existir. Para Sílvia é desaconselhável o ensino mecânico da escrita no qual as crianças apenas preenchem cadernos de caligrafia e isso ocorre aqui no Brasil, pelo menos, há duas décadas. E que na prática é o que ainda se vê em muitas escolas, levando alunos já no 9º ano com uma letra cursiva bonita, mas que não dominam a linguagem. Sílvia reforça que não interessa um aluno copista, é necessário que o aluno tenha o seu próprio discurso e que aprender a escrever é dar voz ao sujeito para que ele possa ser senhor da sua palavra, usar a escrita de modo criativo.(TERESA PLENS MANFREDINI, Contemporaneidade ameaça letra cursiva. O assunto tem preocupado os profissionais da área, texto publicado em Notícias e Debates, 2011.)

É importante levar em consideração que o uso da letra cursiva não precisa ser banido das escolas, mas que se dê a opção da criança escrever de maneira que não prejudique seu aprendizado. Muito interessante o que nos falou Vitor da Fonseca, no Congresso Internacional de Educação, realizado na Bahia em setembro de 2014: – Com o desaparecimento da letra cursiva as habilidades motoras finas devem ser desenvolvidas através do uso de instrumentos musicais, jogos e brincadeiras, pois não podemos perder os movimentos digitais finos, característicos do humano. Pois, todo processo motor, seja ele amplo ou fino interfere na aprendizagem.

Obviamente temos que discernir o que é realmente importante. Como tudo que é novo nos causa estranheza cabe avaliar com cuidado a questão. No entanto, não podemos deixar de levar em consideração que a letra cursiva é pouco usada em todo tipo de informação que nos rodeia e muitas vezes a fluidez do pensamento fica comprometida devido a preocupação que a criança e o jovem aprendiz tem nas fases iniciais da alfabetização com a escrita, ou seja, o texto fica empobrecido pela cobrança da perfeição com que a letra tem que ser escrita e sua real função que é a comunicação e a compreensão do texto fica relegada a segundo plano. Além do mais com o uso das novas tecnologias ler e escrever sofrerão mudanças significativas e temos que ter capacidade analítica para percebê-las e aceitá-las. O nosso compromisso deve ser com a qualidade da aprendizagem e consequentemente com a riqueza dos textos escritos.

Texto produzido Por : Rita Simone R. C. Amado

Psicóloga e Psicopedagoga

Especialista em Desenvolvimento da aprendizagem

Dez/2014

A GERAÇÃO DE FILHOS QUE NÃO LIDA COM TRISTEZA E FRUSTRAÇÃO. MAS AINDA PODEREMOS AJUDÁ-LOS.

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Por que não permitimos que nossos filhos fiquem tristes, o que há de tão mal nisso? Estamos sempre os protegendo das frustrações, sem percebermos o quanto é importante viver este sentimento.

Vamos relembrar um pouco sobre a trama do filme Divertida Mente, que é dividida em duas aventuras intimamente relacionadas. A primeira é a aventura no plano da vida real: Riley, que é uma menina que se muda da cidade em que nasceu, e que junto com seus pais encara o desafio de construir uma vida em outro lugar. Felizmente para eles Riley é uma menina feliz, que nunca reclama, atitude que alivia esse processo estressante e difícil de mudança de vida.

A segunda aventura se passa dentro do cérebro de Riley, que no filme é comandado por cinco emoções: Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva.  Alegria é a emoção dominante e, enquanto cada uma exerce sua função, a Tristeza tende a ser excluída o máximo possível – uma metáfora poderosa para a repressão dos sentimentos. Quando a Tristeza começa a dominar algumas memórias chave, a Alegria tenta controlar a situação e, como resultado, as duas emoções saem do seu “centro de controle” e o caos se instaura.

Enquanto espectadores, caímos perfeitamente na armadilha narrativa: de início, tendemos a estar do lado da Alegria, afinal, a Tristeza só estragaria momentos felizes. Entretanto, a história avança e a Alegria fica mais maníaca e desesperada para não deixar a Tristeza entrar, reprimindo a emoção a qualquer custo. Até que a Alegria testemunha a Tristeza consolando um amigo, e percebe que a tristeza tem uma função importante no nosso desenvolvimento emocional. Ficar triste é normal, e a tristeza não é inimiga das demais emoções, mas sim uma emoção articulada com todas as outras que habitam nossas mentes. O filme é muito assertivo também ao mostrar que a entrada para a depressão de Riley não vem do domínio da Tristeza, mas sim da ausência das emoções. Riley não conseguia sentir nada, então suas decisões se tornam confusas, pois não consegue perceber as dificuldades pelas quais está passando.  É uma rica possibilidade de reflexão.

Vivemos em uma era que valoriza a felicidade e alegria acima de todas as coisas, e isso é uma pressão enorme para todos, adultos e crianças. O esforço para ser “perfeito”, a felicidade das pessoas nas redes sociais, faz com a gente não se permita, nem aos nossos filhos, sentir tristeza, frustração, ou qualquer outro sentimento “negativo”. Como se isso fizesse de nós pessoas fracas. Estamos educando uma geração de pessoas que não se conforma com pouco, uma geração de filhos que não sabe se frustrar. Os estímulos estão acelerados demais, seja com presentes em todo momento, seja com os smartphones que eles ganham cedo demais, jogos eletrônicos cada vez mais modernos e caros, sem tempo determinado para utilização… Os filhos querem tudo de uma vez, e nós estamos fornecendo, sem nos darmos conta (espero) do quanto estamos tirando das nossas crianças a possibilidade de desenvolverem habilidades sócio emocionais fundamentais para a felicidade deles: a capacidade de se colocarem no lugar do outro, de opinar em vez de mandar, de trabalhar em equipe, de exercitarem a espera, o merecimento e a paciência para evitarem crises de ansiedade no futuro…  Sem frustração as crianças não desenvolverão a inteligência emocional. A frustração não significa fracasso! Pelo contrário, é edificante.

Muitos autores, divididos entre as mais diferentes áreas (medicina, educação, jornalismo, psicologia, etc.), estudam hoje sobre este assunto. É comum ouvirmos o relato de pais dizendo que seus filhos não sabem perder em jogos e em brincadeiras, que fazem escândalos quando não querem sair de uma festa ou quando querem vestir uma roupa que julgamos inadequada, apresentando um inconformismo exagerado frente a situações corriqueiras. Crianças de todas as idades não querem mais ouvir a palavra “não”, e, quando não se jogam no chão para fazer birra, estão sempre questionando o que é ou não “justo”, porque acham que têm direito a tudo. Ou seja, estamos criando uma geração de pessoas que não quer se esforçar para conseguir nada, e que acha que a felicidade e o consumo (que para muitos é a mesma coisa, infelizmente) devem ser fornecidos pelos pais a qualquer custo, sem nada em troca, nem mesmo suas obrigações.

É uma grande pena, pois em algum momento o muro de proteção vai cair. Acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar a frustração que paralisa, e não aquela que move, que faz a gente querer vencer e seguir em frente. As crianças que crescerem acreditando que a vida tem que ser do jeito que esperam, que tiveram sempre alguém para servi-los, que não adquiriram autonomia, que não sabem se defender, que ganharam tudo o que quiseram porque seus pais podiam comprar, terão grande chance de se tornarem pessoas muitas frustradas com a vida, ansiosas demais, que não comemoram suas conquistas e estarão sempre em busca de algo que nem elas sabem o que é. Ou seja, uma pessoa com muitos problemas emocionais.

Terão dificuldade de casar ou se relacionar porque não irão querer ceder a nada, serão líderes ruins porque não saberão se colocar no lugar do outro, serão profissionais sem inteligência emocional, pois não conseguirão parar e pensar antes de agir. É como se achassem que o mercado de trabalho é uma continuação de suas casas, com gestores “bondosos” e complacentes como seus pais, que cedem para a insistência, para a chantagem ou para a carinha de “pidão”.

É muito importante refletirmos sobre a educação que estamos fornecendo aos “amores da nossa vida”. Eles estudam em bons colégios, têm acessos às melhores bolsas e roupas, aprendem outras línguas, viajam para o exterior, têm acesso à cultura, à tecnologia… É uma geração que teve muito mais do que nós, seus pais, contudo, a maior parte está crescendo (ou já cresceu) com a ilusão de que a vida é fácil.

Falando sobre esta geração, Eliane Brum, documentarista brasileira com mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem relatou: “Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada e, ao mesmo tempo, mais despreparada de todas. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia com maestria, despreparada porque não conhece o esforço, porque desconhece a fragilidade da matéria da vida.”

Talvez seja por excesso de amor, ou de culpa, ou dos dois, mas não estamos ensinando nossos filhos a lutarem pelo que querem, eles vão sofrer porque de forma indireta fazemos com que acreditem que nasceram com o patrimônio da felicidade.

Eliane cita ainda “(…) Tão importante quanto uma boa escola, um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “te vira, meu filho, você poderá contar sempre comigo, mas essa briga é sua”.” Vamos mostrar aos nossos filhos os esforços que fazemos para que eles tenham tantos acessos, mostrar que nós, pais, erramos, que temos medos, dúvidas, incertezas… Não há uma receita pronta, mas temos que pensar em cada atitude deles hoje, sendo repetida no futuro, por homens e mulheres! É isso que vai acontecer, porque é na primeira infância que eles serão “formatados”.

A jornalista americana Pamela Druckerman, 42 anos, morou em Paris no ano de 2004. Olhando em volta, percebeu como as crianças eram educadas e resolveu então investigar como os franceses conseguiam criar filhos tão bem comportados. O resultado está no best-seller Bringing up Bébé, lançado em vinte países e que acaba de chegar às livrarias brasileiras com o título Crianças Francesas Não Fazem Manha.

Segundo Pamela, os franceses são ótimos educadores e pais, se dedicam exclusivamente aos filhos durante a licença materna e paterna, mas não permitem que a vida da família gire em torno da criança. Depois dos dois anos de idade, a criança precisa entender que nasceu dentro de um contexto, que havia um casal que se amava e que a gerou, e que agora ela tem que se adaptar à vida deles, e não o inverso. Pamela relata no livro que os pais franceses dizem não e estabelecem limites desde muito cedo, e o quanto isso transmite segurança à criança. Ela entende com clareza como deve se comportar e o que é respeito.

Precisamos dialogar sim, mas não podemos abrir espaço para longas discussões se acharmos que o assunto não merece. Precisamos ser firmes, mostrar que nós mandamos casa, decidimos o que fazer… Algumas conversas com nossos filhos precisam terminar com firmeza, sem espaço para questionamentos e argumentações “infinitas”. Nós somos seus pais, nós mandamos, e pronto! E não devemos nos sentir culpados por isso. Isso é amor. Esta é a melhor atitude para ensinarmos às nossas crianças a terem paciência, respeito, resiliência e autocontrole. As crianças precisam deste limite, elas nos clamam por ele, porque só assim verão em seus pais segurança e exemplo de vida.  O limite que os pais derem se transformarão e respeito e resiliência. Não estamos falando de gritos, castigos e nem de tratar crianças como adultos. O bom senso de cada família junto com as condições individuais da criança, deverão ser o norte para os pais.

Contudo, independentemente de quem seja a criança, especial ou típica, com uma patologia ou não, de pais separados ou não, de família hetero ou homoafetivas, adotadas ou não, algumas coisas são regra: não dê presentes fora de hora, não faça com que seu filho só cumpra uma tarefa com uma recompensa, dê opções de escolha para uma roupa, um restaurante, um passeio, mas não permita que uma criança “mande” na sua própria vida, isso é uma forma de abandono, é diferente de autonomia. Autonomia é criar para a criança um papel importante na casa, mandar que organize seus livrinhos, seus brinquedos. Deixar comer sozinho desde cedo (ela vai se sujar, a comida vai cair no chão, mas não dá aprender de outra forma), tomar banho sob supervisão (no início), escovar os dentes, puxar a mochila da escola, respeitar regras e horários sociais, dormir cedo, assistir aos programas de TV adequados para sua idade, usar eletrônicos por, no máximo, duas horas por dia… As reclamações e choros virão, certamente, mas com uma rotina e regras estabelecidas, com amor e atenção e toque acompanhando tudo isso, será muito difícil dar “errado”.

Então, antes de darmos um sim pela comodidade, culpa ou cansaço, pensemos no adulto que queremos formar. Não é uma tarefa fácil, também sou mãe, mas quem disse que educar é fácil?

 Texto escrito por: Gabriela Camarotti

 

Ler e aprender brincando

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Aos 4 e 5 anos, os pequenos estão cercados por textos e têm muitas ideias sobre a língua escrita.Mensagens, palavras, frases, textos. Compreender e ser compreendido por meio da escrita. Essa é a magia do ler e escrever. Porém, saber a melhor época de se iniciar esse processo, tem sido um tabu ao longo dos anos.

Na escola pública, defende-se que essa prática é séria demais para a Educação Infantil, muito escolar para os pequenos que merecem exercer seu direito de brincar. Nas instituições particulares é o inverso que acontece. Em meio dessa dicotomia da proibição e a obrigação, existe uma criança que explora o mundo da escrita e pensa ativamente sobre ela. As Diretrizes Curriculares nacionais para Educação Infantil defendem a alfabetização nessa faixa etária e orientam articular os saberes e vivencias das crianças com os conhecimentos  culturais.

Atualmente, as crianças têm acesso à linguagem escrita  desde muito novas e, aos 4 e 5 anos estão em plena fase de investigação. Exploram teclados de computadores, veem bilhetes e recados presos na geladeira, reconhecem os produtos na prateleira dos supermercados e placas de sinalização. Diante dessa realidade, onde a escrita se encontra por toda parte, adiar a interação da criança nesse mundo não seria interessante.

A pesquisadora argentina  Ana Teberosky e a espanhola Isabel Solé alertam para o avanço que tivemos nessa área, nos últimos 30 anos: reconhecer que as hipóteses sobre a linguagem escrita de crianças entre 3 e 5 anos fazem parte do processo de alfabetização inicial. Contrário a toda essa verdade, deparamo-nos com uma visão de que a pré-escola é apenas uma etapa preparatória do Ensino Fundamental, reproduzindo mecanicamente desenhos de letras e atividades de coordenação visomotora. Dividir a linguagem em  etapas de pré-alfabetização, alfabetização e pós-alfabetização é negar que a aprendizagem é um processo contínuo.

A pré-escola deve favorecer o desenvolvimento das crianças com significado. Vale a pena ensinar a usar as letras em situações reais de leitura e escrita, promover momentos de reflexão sobre elas, conversar sobre suas denominações e promover a relação com palavras  conhecidas, como os nomes de amigos e parentes ou títulos de histórias. Pensando assim, o professor deve proporcionar um ambiente motivador, oferecendo situações para que a sala pense sobre como se escreve, para que se escreve. As reflexões devem levar em conta as relações entre os elementos da linguagem verbal, pois é nessas relações que eles encontram significados e não nas partes isoladas, como as letras.

É importante ainda que as crianças ouçam leituras de diferentes gêneros textuais, tenham contatos com diversos materiais escritos e tenham oportunidades de escrever segundo suas ideias. Alguns trabalhos didáticos impulsionam o processo de aprendizagem, como por exemplo , o trabalho com nome próprio – a primeira palavra com significado para a criança- que oferece um conjunto básico de  letras que cada um usará para compor outras palavras. Quando promovemos a escrita, a interpretação e a revisão da própria escrita, a criança começa a estabelecer relações com o que quis dizer e o que escreveu.  Dessa forma, as crianças vão avançar na compreensão do sistema alfabético, sem a obrigação de chegar a uma escrita convencional. Precisamos autorizar e acreditar na capacidade delas.

Texto escrito por: Sandra Kattah (Diretora pedagógica da Escola Vila Aprendiz)

As férias chegaram. O que fazer com as crianças ?

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As férias iniciaram e logo vem a preocupação dos pais: O que fazer com as crianças?
Para quem não vai viajar, para os pais que estarão trabalhando normalmente, existem as colônia de férias, que podem ser pagas por diária ou com pacote semanal. Alertamos apenas, para o fato de que o mais importante para este período é fugir da rotina escolar, brincar livremente e descansar. Sugerimos então, que não coloquem as crianças em colônias cujo objetivo seja “reforço”. Os pequenos precisam brincar e fantasiar, e para este mês de descanso, o ato de brincar irá favorecer o processo de aprendizagem na volta à escola.
A brincadeira ajuda a desenvolver a noção espacial e corporal, a capacidade de solucionar problemas, a criatividade, a imaginação, a autonomia, entre tantas outras habilidades essenciais para o desenvolvimento cognitivo, e o consequente processo de aprendizagem.
O período de férias serve como uma “digestão cerebral”. Assim como os adultos, as crianças também precisam de um tempo para relaxar e processar as informações novas, para elas muitas vezes difíceis. O cérebro da criança vai consolidando todo o conhecimento adquirido durante os seis primeiros meses de aula, além de receber o merecido descanso. Elas precisam disso!
Os jogos eletrônicos e a TV podem entrar no “calendário de férias” como parte da programação, mas sugerimos que tenham um tempo limitado (o ideal, segundo a OMS, são duas horas por dia).
Além das programações como colônias de férias, cinema, praia, teatro e exposições, os pais podem criar junto com seus filhos um calendário com algumas atividades simples e divertidas para fazerem em casa. Atividades que não fazem parte da rotina da casa e das crianças, por mais simples que pareçam, se tornam inesquecíveis para elas. Seguem algumas sugestões, que podem ser adaptadas de acordo com a idade:

• Fazer arte com comidas cruas: criar um cartaz ou um quadro com grãos, diferentes tipos de macarrão, tinta, etc…
• Chamar um amigo para uma sessão de cinema em casa, com direito a quarto escuro, e pipoca.
• Construir um castelo, monstros ou carros com sucatas (potes de iogurte, rolo de papel higiênico, tinta, cola, gliter, palito de picolé, etc.) para brincarem junto com os pais à noite ou quando chegarem do trabalho.
• Iniciar uma guerra de travesseiros com seus filhos, ou outra coisa que bagunce a casa e que vocês não fazem normalmente.
• Dormir um dia na sala, numa cabana montada por vocês.
• Pedir que durante o dia criem uma revista ou história em quadrinhos para lerem juntos à noite. Não determinem o tema, deixem que façam o que quiserem.
• Dia de Chef de cozinha: peça para que faça com cartolina um chapéu de cozinheiro (ou façam juntos) para que naquele dia ele cozinhe biscoitinho 1, 2, 3 para comerem juntos, na sobremesa do almoço ou do jantar.
• Fazer fantoches com meias, e criar uma história para contar a mamãe e papai.
• Criar um jogo de memória com papelão, caixa de sapatos… para jogarem juntos depois.
• Desmanche um velho equipamento eletrônico
• Sabe aquele computador velho que tem mais uso? Ou aquela máquina fotográfica? Ou uma fita cassete que você ainda tem? Que tal deixar a curiosidade dos mais velhos correr solta e oferecer para que as crianças desmanchem e vejam como eles funcionavam e como são seus componentes?
• Transforme sua casa em um GP Com papéis ou caixas de papelão monte uma pista de corrida para os carrinhos das crianças. Vale pensar e estruturar curvas, despenhadeiros e até loopings.
• Que tal o dia de cuidar dos brinquedos? Além de deixa-los mais limpos, a brincadeira ajuda a criar um senso de responsabilidade pelos objetos.
• No momento de escolha dos brinquedos que “tomarão banho” poderão, juntos, separar os “excessos”, ou brinquedos que não usam mais para uma doação. Juntos, vocês podem ir à uma igreja, um orfanato ou creche para deixarem os brinquedos.
• Faça uma árvore genealógica: Rever as origens é ótimo para reviver sua história. Faça uma árvore genealógica com nomes, fotos, figuras, desenhos.
• Transformar a casa em uma grande gincana, que pode começar com uma teia de aranha gigante no corredor, feita com fita crepe colada de um lado a outro da parede. A brincadeira pode continuar com obstáculos de almofada, ponte onde eles só podem pisar numa linha reta, etc.

Desejamos ótimas férias e muita diversão para os nossos pequenos!

Texto escrito por Gabriela Camarotti

Como o brincar influencia na preensão do lápis

lapisAntes de ser alfabetizada, a criança precisa desenvolver algumas habilidades que lhe possibilitarão conquistar a coordenação motora fina, que proporcionará a preensão adequada do lápis, o equilíbrio que sustentará a postura correta para se manter sentada e conseguir um bom desempenho da coordenação viso motora e da manutenção da atenção e da concentração, entre outros.

Parece complexo, no entanto, ela conquista isso tudo sozinha, se lhe permitirem o brincar livre. São as experiências sensoriais e motoras registradas que permitirão o bom desempenho cognitivo e facilitarão o processo de aprendizagem.

Sabemos, porém, que tais experiências estão cada vez mais escassas no repertório de atividades de nossas crianças. A alfabetização está ocorrendo cada vez mais cedo, forçando a maturação de estruturas que ainda não estavam preparadas. Mesmo as brincadeiras, têm sido substituídas por programas infantis e desenhos animados. Por mais educativos que aparentem ser, pouco oferecem de útil, pois para o nosso sistema nervoso realizar um registro de experiência, necessita uma vivência real (subir, correr, explorar um objeto com as mãos e sentir sua forma, sua textura, sentir diferentes temperaturas, criar funções para um brinquedo, entender conceitos brincando, por ex. “embaixo” ao passar sob algo, “em cima” ao escalar uma árvore, entre outros) e não a oferta virtual e bidimensional da TV e do computador.

Essas experiências do brincar sadio auxiliarão, inclusive, nos ganhos da orientação espacial e da lateralidade (dominância lateral), fundamentais para a escrita. Dificuldades com essas habilidades e com as demais citadas, poderão causar disfunções como: inversões de letras e espelhamento, escrita fora da linha, lateralidade indefinida, força exagerada na escrita e no desenho, entre outros.

Para quem não sabe, o desenvolvimento ocorre do proximal para o distal e da cabeça aos pés e sempre parte de uma motricidade grossa para uma habilidade mais fina. Então, antes de fazer a preensão do lápis, que exige coordenação motora fina, a criança precisa trabalhar as articulações anteriores (mais proximais) por meio de atividades que estimulem a coordenação motora grossa. Trabalhar o membro superior por completo (ombro, cotovelo, punho), antes de chegar às falanges dos dedos, em movimentos mais refinados como a pinça e a preensão.

Brincadeiras que desenvolvem essas articulações são: arremessar bolas, brinquedos que simulem o martelar, que dêem noção de profundidade, manuseio de objetos com as 2 mãos, massa de modelar e argila que trabalham a força, tonicidade muscular, etc.

Visto isso, deveríamos oferecer às crianças, materiais que atendam essas expectativas e contribuam para o desenvolvimento dessas habilidades.A criança mostrará quando estiver madura para passar para o lápis, mas mesmo assim, opte por um lápis mais grosso, para uma transição tranqüila.Como saber se ela está pulando etapas na escrita? Tem uma dica bacana e fácil de observar.

Se a criança estiver fazendo algo sem o preparo adequado, ela apresentará o que chamamos de reação associada, ou seja, enquanto estiver escrevendo, a outra mãozinha, provavelmente se fechará e irá para trás – aumento anormal de tônus em uma parte do corpo, como resultado de esforço de outra parte.

Também poderá apresentar sincinesias faciais como fazer caretas, morder a língua ou os lábios enquanto manuseia o lápis.Para saber mais sobre isso ou encaminhar para a avaliação e tratamento, o mais indicado é buscar a ajuda de um profissional especializado como o terapeuta ocupacional.

Fonte:www.brincandoporai.com.br

Por Bruna Toledo Gomes ( Graduada em Terapia Ocupacional com especialização em Saúde Mental e Psicopedagogia. Trabalha com embasamento teórico em Desenvolvimento Infantil, Psicomotricidade e Terapia de Integração Sensorial)

 

Por que estabelecer limites para os nossos filhos?

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Hoje em dia nos surpreendemos com as condutas de algumas crianças, principalmente quando a forma de falar extrapola o respeito com os próprios pais. Insultos, aumento do tom voz, tapas, birras, “dedo no rosto”, entre outras coisas, são atitudes que passaram a ser comuns, mesmo com crianças muito pequenas. É um tipo de autoridade que está vindo da direção errada: de filhos para pais, como se os papéis estivessem trocados em muitas famílias da atualidade.

O que está acontecendo? Será que foi o estabelecimento de que dar uma palmada, puxar orelha, apertar o braço, são maus tratos? Será que somos uma geração de pais mais instruídos sobre os efeitos negativos da falta de afetividade, e por isso passamos a ter medo de sermos autoritários?  Será que é a culpa que sentimos por estarmos ausentes de casa, trabalhando, e então buscamos uma forma de compensar as crianças através de mimos, presentes caros fora de hora, grandes festas de aniversário e tudo mais o que eles pedirem? O fato é que as crianças do Séc. XXI descobriram uma forma eficaz de manipular os seus pais. E esses estão sentindo muita dificuldade em tomar a rédea da situação. Esta submissão não é nada benéfica para os nossos filhos, que crescem hostis com a sua própria família e com uma crença no poder da autoridade, que cedo ou tarde irá lhes mandar a conta.

Uma criança sem limites sempre irá escolher o que comer, o que os outros devem fazer, quando sair, a roupa que quer vestir (e não a mais adequada), aonde a família irá nas férias, o que assistir na televisão, decidir se os pais irão ou não para uma festa (porque já trabalharam o dia todo), etc. Em resumo, ela ordena, dita e manda tanto nela quanto nos outros.

Por que isto acontece? Porque em geral as crianças têm a empatia subdesenvolvida. Isso quer dizer que não são capazes de experimentar as emoções e os sentimentos que têm a ver com se colocar no lugar do outro. Somos nós, pais e educadores, que precisamos mostrar a elas os limites. Precisamos mostrar que é importante e necessário respeitar o outro, seu espaço, seus sentimentos, suas diferenças. E quando não “tratamos” de impor todas estas regras, limites e conceitos, prejudicamos e comprometemos de forma negativa, mesmo que inconsciente, o futuro dos nossos filhos. Com o tempo, eles se tornarão pessoas autoritárias, possuirão traços de personalidade próprios do egocentrismo, desconhecerão o respeito, o perdão, não terão tolerância à frustração e serão manipuladoras das emoções dos outros quando conhecerem suas fragilidades. É isso que você espera do seu filho?

Sabemos que educar é uma tarefa árdua, complicada, que requer muito esforço e energia que, às vezes, não temos ou não queremos ter. No entanto, quando decidimos ter filhos essa é uma das primeiras premissas que “aceitamos”. Adquirimos a responsabilidade de educá-los, algo que inevitavelmente exige um esforço enorme, e que não nos permite escolhas. Não podemos dar uma educação passiva e relaxada, pois, mais cedo ou mais tarde, poderemos nos deparar com esses comportamentos como pura consequência da nossa ausência como pais, como orientadores e autoridades. As crianças autoritárias levarão muitos tombos até conseguirem aprender, mas nunca entenderão porque ninguém os educou direito desde o início.

O grande problema é quando vem a adolescência, e essas “características negativas” já estão instaladas. Um furacão de pensamentos contraditórios passa pela cabeça deles, aliado às mudanças hormonais, aos conflitos típicos da fase, e tudo isso pode terminar em um ser humano bastante intolerante e agressivo.

Sabemos que somos seres em contínuo processo de aprendizagem, mas é na infância que se instalam as bases da educação e da personalidade. É a fase em que se planta a semente que crescerá no dia de amanhã. E a família precisa ser vista pela criança como uma base sólida, onde ela encontrará atitudes e sentimentos que serão fundamentais para sua vida adulta:

  • Apoio mesmo nos momentos em que errar – É o que gera uma pessoa ousada e segura, que não olhará para o erro como uma fonte de humilhação, de fraqueza e de desequilíbrio, e sim como uma oportunidade para fazer melhor, como um aprendizado.
  • Limites e regras claros quanto ao que é certo e o que é errado desde o início da vida – O estabelecimento e exigência para cumprimento das regras trará sentido de responsabilidade e justiça, fundamentais para a criança alcançar a felicidade na vida adulta.
  • Cumprimento das promessas e ameaças – Viver na incerteza não oferece segurança. Se um dia castigamos nosso filho por não ter organizado seu quarto, mas no dia seguinte deixamos passar, certamente ele não levará nossas normas a sério e não se importará com as consequências ao infringi-las. Esta “certeza” ou questionamento da impunidade fará do nosso filho um adulto, possivelmente, infrator de regras.
  • Experimentos de afetividade e emoções positivas – O amor é a base para favorecer o desenvolvimento de uma personalidade otimista e confiante.
  • Cuidado com as recompensas dadas de forma inadequada – Uma norma não é uma sanção. Arrumar a cama e levantar na hora certa para ir à escola não é um castigo. Há quem pense que é necessário recompensar cada um dos bons atos das crianças, mas a finalidade é que entendam suas responsabilidades. Mais que recompensar, devemos fazer elogios. Comunicar um: “Estou orgulhosa de você” é, por exemplo, o melhor reconhecimento que podemos dar a eles.
  • E quando cometerem um erro? – Quando as crianças fizerem algo errado ou demonstrarem um comportamento pouco responsável, também não é indicado utilizar um castigo muito punitivo.Seguiremos utilizando a educação democrática: devemos ensiná-los como podem melhorar, pensar com eles antes de estabelecer uma “lei”. Fazê-los perceber por que seu comportamento precisa melhorar. À medida que demonstrem responsabilidade, iremos concedendo-lhes mais direitos, mais oportunidades.
  • Organize um plano antecipadamente – Neste plano, você deve dizer que tipo de limites você deseja definir em um ambiente saudável e seguro, e estabelecer algo que você esteja disposto a cumprir através da direção correta; se o seu filho tem dificuldade para responder, recorra à estrutura preestabelecida.
  • O respeito tem que ser mutuo – Quando as crianças são maiores, a urgência de colocar à prova os limites se faz mais intensa, do mesmo jeito que a sua capacidade de desafio. Por isso, é importante tentar “negociar” com ele para que cumpra as normas, sempre ouvindo-o e dando atenção a sua opinião.Em muitos casos será necessário chegar a um ponto intermediário, isto é, encontrar um mecanismo para que ele possa experimentar os seus limites, sem que estes sejam desafiadores em excesso.

Criar filhos responsáveis, independentes e maduros para que se itegrem perfeitamente à sociedade, sendo felizes, em um mundo que compreendem e no qual possam desenvolver-se perfeitamente; esse é o nosso sonho como pais. Jamais teremos a certeza ou a fórmula para que isso aconteça, mas precisamos tentar, nos apoiar na ciência, nos estudos e na experiência.

Precisamos jogar a culpa fora e encarar que nossos filhos são de uma geração que tem mães que trabalham fora de casa, pais mais ausentes, tecnologia para informá-los e também agitá-los. Essa é a realidade da maioria, é o mundo onde nasceram. Contudo, nessa realidade nosso papel se torna ainda mais desafiador, “educar em menor tempo”.  Para tanto precisamos acreditar neles, acreditar na nossa capacidade e no nosso amor verdadeiro, o maior que já conhecemos: amor que dá colo e limites, o equilíbrio que nos forma.

 

Texto escrito por: Gabriela Camarotti

Mães e filhos: o vínculo eterno.

gabi e meninos

Cada filho leva consigo a sua mãe. É um vínculo eterno do qual nunca poderemos nos desligar. Para termos saúde e sermos felizes, cada uma de nós deve conhecer de que maneira nossa mãe influenciou nossa história e como continua influenciando.

Quando conseguimos compreender os efeitos que a criação teve sobre nós, começamos a compreender a nós mesmos e termos a certeza da importância do nosso papel como mães.

Conforme Christiane Northrup, na sua obra Mães e Filhas, “o vínculo mãe-filho está estrategicamente desenhado para ser uma das relações mais positivas, compreensivas e íntimas que teremos na vida.” No entanto, isso nem sempre acontece assim…

As influências, e até o amor de uma mãe, também podem ser problemáticos, tóxicos para o filho.  De forma inconsciente, por excesso de proteção, algumas mães se tornam mestres em educar as crianças sem estimular seu crescimento pessoal e sua segurança. Projetam sobre seus filhos todos os seus medos e frustrações, na intenção de não fazê-los sofrer, de protegê-los contra as dores da vida. Com isso, entregues ao mundo no futuro, eles poderão ter sua independência física e emocional prejudicadas, se tornando pessoas inseguras e incapazes de lidar com as adversidades.

A mãe representa pontos cruciais na formação do ser humano, da personalidade do filho. É a partir dos conceitos que passamos para eles que se desenvolverão as habilidades no trato social, familiar, psicológico e até mesmo ambiental. O amor e atenção dispensados, a qualidade do tempo juntos (e não a quantidade de tempo), a harmonia da casa, o bom relacionamento com o marido e a satisfação própria como mulher, são as peças que formam um bom ambiente familiar (ufa, quanta coisa!), e esse ambiente é fundamental para assegurar a construção do psiquismo dos filhos, possibilitando o desenvolvimento saudável dos comportamentos sociais, que se estenderão para as demais fases da vida.

Portanto, não podemos acreditar que “o tempo” mudará nossos filhos, nem esperar que com o crescimento os defeitos comportamentais que observamos na infância venham a desaparecer, precisamos agir enquanto ainda são pequenos… Mas como desempenhar bem nosso principal papel se hoje dividimos o tempo de sermos mãe com os afazeres do trabalho, de ser esposa, de administrar a casa e de ainda ter que conseguir tempo para cuidar da saúde, do corpo e da beleza?

O primeiro passo é tentar eliminar a culpa pela ausência, admitir que não somos perfeitas e que não precisamos ser “modelos” de mãe. Outro, talvez o mais importante, é conseguir dar amor e limites no pouco tempo em que estamos juntos com nossos filhos. Porque essa “equação” é capaz de criar pessoas autônomas, que saberão lidar com erros e serem empáticas.

Que medo é esse que nossa geração de pais tem de educar? O que há de arriscado em impor regras e sustentá-las? Nossos filhos não podem chorar, ficar com raiva, sofrer e se frustrar?

Porque eles precisam de uma bolsa nova (de marca famosa) a cada ano escolar quando a “velha” ainda está em perfeitas condições de uso? Por que a cada festa eles têm que estrear uma roupa nova? Por que compramos tantos presentes sem datas específicas (aniversário, dia das crianças)? Por que premiamos nossos filhos quando eles cumpriram apenas uma obrigação (como fazer boas avaliações ou não chorar para ficar na escola)? Precisamos refletir sobre o que estamos ensinando às pessoas que mais amamos na vida, sobre como estamos preparando elas para o futuro.

Será que nós, pais e mães que os criamos assim, estamos prontos para adolescentes que vão bater a porta e sair sem dar “tchau”? Será que estamos prontos para filhos adultos que não saberão ceder numa relação amorosa? Que não saberão como lidar com o trabalho em equipe? Que não irão tolerar as diferenças quando forem líderes? Essas poderão ser algumas das consequências… É deste amor “toxico” que falamos no início do texto; o amor que prejudica, mesmo que de forma inconsciente.

Desde a mais tenra idade os pequenos devem receber, de forma clara e objetiva, orientações sobre suas tarefas e limites. E isso precisa ser feito, mesmo que seus pais estejam com eles poucas horas por dia. Em seu livro “Filhos adultos mimados, pais negligenciados”, Tania Zagury afirma que “de tanto amor pelos filhos e de tanta culpa pela ausência, os pais da atualidade ficam cegos de paixão, e assim, sem perceber, se tornam incapazes de concretizar atitudes necessárias à formação de cidadãos éticos, produtivos, equilibrados, capazes de confiar em si mesmos”. Para Zagury, “os limites são fundamentais para a formação da personalidade. São eles que vão ajudar a criança a desenvolver a capacidade de suportar frustrações”.

Fui frustrada diversas vezes e não me lembro dos meus pais se importarem se eu estava gostando ou não; naquele momento o foco era educar, mostrar as fronteiras das atitudes e palavras; fronteiras que me ensinaram a respeitar as outras pessoas, que me ensinaram que não é proibido errar, e que ninguém fica traumatizado porque se frustrou. Lembrem-se de uma coisa importante: liberdade demais pode ser interpretada pela criança como falta de afeto.  As crianças querem ser aceitas e amadas pelos pais, isso nunca mudará, mas quem sabe o que é bom ou ruim para a vida não é uma criança de 5 anos de idade, e sim seus pais.

Há princípios, valores, moral familiar e social que eles não entendem ainda, mas serão gratos se nós ensinarmos, mesmo que para isso a gente “perca” um pouco do nosso precioso tempo juntos com conversas “chatas” ou momentos de reflexões sobre os erros cometidos por eles. Para compensar, ou melhor, para “completar” este momento de amor, da criação de equilíbrio e autoestima, façamos nossos malabarismos para tornar nossas horas juntas significativas: Acompanhar o desempenho deles na escola, fazer as refeições possíveis em família (à mesa), conversar à noite, desligar o celular quando chegar em casa (até que durmam), colocar para dormir, conversar, contar histórias (mesmo para os que sabem ler), sentar para jogar e reservar momentos especiais para o final de semana.

A qualidade destes momentos de atenção, mesmo que concentrados em um determinado período do dia, aliada aos finais de semana, aos limites, à criação da rotina, tudo isso de forma sistemática, fará com que a criança se sinta amada, importante, valorizada e parte da família. Fará com que entenda o que é a vida.

Só mais uma coisa: Não se sinta uma mãe frustrada (ou pais frustrados).  Não há receita quando o assunto é a educação dos filhos. Há estratégias que funcionam, outras que só conseguimos colocar em prática por um tempo, além das estratégias que não funcionam; apenas isso. São tentativas que devem vir aliadas à leitura, ao conhecimento de como cada filho funciona, às orientações da escola e de pessoas especializadas… Contudo, mais importante que qualquer estratégia ou conhecimento específico é o afeto, o colo, o carinho, a paciência para estar com eles “de verdade”, por inteiro, mesmo que seja um “pedacinho” do dia, ou seja, o amor verdadeiro, de quem nasceu para ser mãe e não apenas para parir uma criança.

Texto escrito por Gabriela Camarotti

Fontes de estudo: Psicologia do Desenvolvimento – Lannoy Dorin, Artigos acadêmigos sobre John Bowlby e a Teoria do Apego, Tânia Zagury – Filhos adultos mimados, pais negligenciados, Christiane Northrup- Mães e Filhas.